“O que estamos vendo é uma candidatura de rejeitados”, diz Caiado ao criticar Lula e Flávio Bolsonaro

Governador de Goiás afirma que o Brasil precisa agregar valor aos minerais estratégicos, promete combater facções criminosas caso chegue ao Planalto e diz que disputa presidencial não pode ser marcada por “revanche” entre os principais grupos políticos.

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado | Foto: Divulgação

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou nesta quinta-feira, durante agenda no Rio de Janeiro, que o Pix não deve integrar qualquer negociação comercial com os Estados Unidos, defendeu uma política nacional voltada à industrialização das terras raras e criticou a polarização política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao comentar as discussões sobre minerais estratégicos e as recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, Caiado descartou qualquer possibilidade de negociação envolvendo o sistema brasileiro de pagamentos.

“Em relação ao Pix, isso é inegociável. Ponto final. É uma tecnologia desenvolvida pelo Brasil, por brasileiros, e não há por que isso entrar em mesa de negociação”, afirmou.

Na avaliação do governador, o Brasil precisa deixar de ser apenas exportador de commodities e passar a agregar valor aos chamados minerais críticos. Segundo ele, o país desperdiçou oportunidades ao longo dos últimos anos por não investir em inovação e tecnologia.

“O Brasil não pode continuar sendo visto de forma colonial. Exporta soja, exporta minerais críticos, mas não desenvolve o próprio potencial, não avança em inovação e perde janelas estratégicas de oportunidade”, criticou.

Ao defender uma política de industrialização para o setor, Caiado explicou que o desenvolvimento passa pelo domínio de toda a cadeia produtiva.

“Temos quatro etapas nessa cadeia: exploração, separação dos minerais, fabricação das ligas e produção de semicondutores, baterias e outros componentes de alta tecnologia. O Brasil precisa agregar valor e não apenas exportar matéria-prima”, explicou.

Para o governador, se o país tivesse investido em políticas estruturantes, hoje teria uma posição mais favorável nas negociações internacionais.

“Se o Brasil tivesse desenvolvido políticas estruturantes, hoje estaria em outro patamar para sentar à mesa de negociação com qualquer país”, argumentou.

Segurança pública

Durante a agenda no Rio de Janeiro, Caiado voltou a defender o endurecimento no combate ao crime organizado e afirmou que a segurança pública será uma das principais bandeiras de sua campanha.

Ao lembrar o período em que viveu na capital fluminense, onde cursou Medicina e trabalhou em hospitais públicos, o governador disse que mantém uma relação afetiva com o estado.

“Tenho uma dívida com o Rio de Janeiro. Foi aqui que me formei médico, trabalhei no Rocha Faria, no Souza Aguiar, no Miguel Couto e no Hospital do Fundão. Vivi muitos anos aqui e vou saldar essa dívida quando chegar à Presidência”, contou.

Na sequência, afirmou que pretende enfrentar as facções criminosas.

“Vou libertar o povo carioca e fluminense. Eles não serão mais dominados por facções. Essa é uma briga que eu compro. Já mostrei que sei enfrentar o crime e fiz isso em Goiás”, garantiu.

Segundo Caiado, a violência compromete o desenvolvimento econômico e social do estado.

“Sem segurança, não existe ambiente de negócios, não existe ambiente familiar e as pessoas não conseguem viver com tranquilidade. O Rio de Janeiro perdeu espaço porque o crime tomou conta de áreas inteiras”, avaliou.

O governador também fez um alerta sobre o avanço das organizações criminosas.

“Se nós não enfrentarmos o crime organizado de forma frontal, o Brasil caminha para uma mexicanização, onde as facções passam a controlar não apenas territórios, mas também a economia formal”, alertou.

Polarização política

Ao comentar o cenário eleitoral, Caiado criticou a polarização entre o PT e o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que a eleição não pode ser conduzida pela rejeição entre adversários.

“O que estamos vendo é uma candidatura de rejeitados. Quem não gosta do Lula vota no Flávio; quem não gosta do Flávio vota no Lula. Isso é revanche ou é uma eleição para escolher o melhor para o país?”, questionou.

Na avaliação do governador, tanto o PT quanto o grupo bolsonarista já tiveram oportunidade de governar o país.

“Lula e o PT já governaram o Brasil. Bolsonaro e o PL também governaram. A crise que está aí é resultado dessas experiências. A sociedade precisa olhar para quem tem capacidade comprovada de governar”, afirmou.

Ao defender sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, Caiado disse que sua trajetória política o credencia para a disputa.

“Tenho autoridade moral para disputar a Presidência. Minha trajetória está aberta. Você não vê nenhuma mácula sobre minha integridade moral ou meu patrimônio. Nunca estive envolvido em rachadinha, petrolão, mensalão, fraude no INSS ou qualquer outro escândalo”, declarou.

Como credenciais, citou os resultados obtidos em Goiás.

“Mostrei em Goiás que é possível governar com segurança pública, educação de qualidade, saúde regionalizada e transparência nos gastos públicos”, ressaltou.

Guerra comercial

Ao comentar as tarifas impostas pelos Estados Unidos e o cenário internacional, Caiado defendeu que o interesse nacional esteja acima da disputa eleitoral.

“Um candidato à Presidência precisa colocar o Brasil em primeiro lugar. Não pode adiar uma discussão estratégica por causa da eleição, nem provocar outro país apenas para explorar discurso de soberania”, defendeu.

Por fim, voltou a defender uma estratégia de desenvolvimento baseada no potencial mineral brasileiro.

“O Brasil tem gás, potássio, fósforo, terras raras, nióbio e minerais críticos. Tem todos os insumos necessários para dar um salto tecnológico, mas falta um governo com estatura para transformar esse potencial em desenvolvimento”, concluiu.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

Alan inicia seus trabalhos com o único objetivo, trazer a todos informação de qualidade, com opinião de pessoas da mais alta competência em suas áreas de atuação.

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