
Tem gente que nasce com a alma já afinada em clave de sol, com os pés marcando compassos antes mesmo de saber caminhar. Divina Alba da Silva nasceu em 18 de novembro de 1950, em Pirenópolis — cidade bordada de pedra, cachoeira e fé. Mas foi Ipameri em Entre Rios “ Berço da Modernidade do estado”, ali pertinho no coração de Goiás, que teve a sorte de acolher essa mulher que dançava como quem semeia esperança.
Com a graça das águas do Rio Corumbá e a força das serras goianas, Divina atravessou a vida levando nas mãos a bandeira da arte e da educação coordenadora do Mobral a quem poucos vão se lembrar — costuradas com linha de ternura e tecido de luta. Não era só bailarina: era sementeira de sonhos. E cada passo dela nos palcos era um gesto de resistência poética.

Nos salões de ballet, ela moldava o corpo e a alma. Fez-se paquita, palhaço, princesa e quebradora de encantos. Era o Soldadinho de Chumbo e a leveza da Bela Adormecida. Quando subia no palco, era como se o tempo parasse pra assistir. Dançou o clássico, o jazz, o sapateado e ensinou você criança. Rodopiava e Ipameri girava junto, encantada nas olimpíadas do Brasil carregou o fogo da esperança por nossas ruas quem melhor para fazer.
E mais do que dançar, ela ensinava. Porque Divina entendeu cedo que ensinar é coreografar futuros. Dedicou mais de 60 anos à educação infantil, remando com o sistema que pasmem quase a tirou do projeto de levar lúdico no município mais como água contornou cada broquete resistiu, ao lúdico, ao brincar sério de formar gente. Com olhar doce e voz de acolhida, fez da sala de aula um palco, e das crianças, protagonistas da própria história.
Divina fez da arte uma ferramenta de transformação. Não apenas criou espetáculos — ela criou artistas. Participou de grupos renomados, como o Corpo em Cena da UFG de Catalão, onde brilhou em peças como Morte e Vida Severina e Menino 2000 anos, dirigido por Beth Costa. Dançou com alma em Viagem do Barquinho, sob direção de Luís Sérgio Silva, e atravessou Goiás com o espetáculo Ser e Existir, levando emoção a cada município.
Desde 2017, empresta seu talento e coração ao grupo de teatro “Entre Risos e Soturnos” de Ipameri. Com cada entrada em cena, renova sua missão: tocar corações, provocar sorrisos, levantar reflexões.
Divina não tem apenas nome de bênção. Ela é a própria bênção de um povo. Em cada gesto seu, vive a sabedoria dos antigos, o afeto das benzedeiras e a coragem das que não desistem. Ipameri aprendeu a olhar a arte com outros olhos por causa dela. Os ipamerinos passaram a ver que dançar, rir, dramatizar, ensinar… tudo isso é ato de fé.
Como diz o ditado goiano, “quem planta com fé, colhe com alma cheia”. E Divina colhe hoje o respeito, a admiração e o amor de todos aqueles que foram tocados por sua dança e sua docência já é patrimônio.
Seu legado não é apenas o das apresentações — é o das transformações. É a menina que virou mulher, a artista que virou educadora, a educadora que virou referência.
Divina Alba da Silva é dessas figuras que a gente guarda na memória como se guarda a primeira música que nos emocionou. É poesia viva no corpo, nas palavras, nos gestos. Um patrimônio afetivo de Ipameri, uma estrela que, mesmo dançando entre as nuvens da idade, continua iluminando o chão de quem vem depois.
Porque, para ela, a arte não é vaidade: é missão. E missão cumprida com o coração, com o corpo em cena e a alma entregue.
Diante dessa linda história o Blog do Alanp



