População em situação de rua quase dobra no Brasil desde o início do governo Lula; Goiás registra alta de 121%

Dados do Cadastro Único (CadÚnico) revelam um forte aumento no número de pessoas em situação de rua no país nos últimos três anos. De acordo com informações atualizadas até junho de 2026, o total saltou de 198,7 mil pessoas em dezembro de 2022 para 392,4 mil — um crescimento de 97,4% desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

O CadÚnico é a principal ferramenta do governo federal para identificar famílias em vulnerabilidade e conceder benefícios sociais. Embora os números não representem um censo completo da população de rua, eles permitem acompanhar a evolução dos registros com a mesma metodologia ao longo do tempo.

Desde janeiro de 2023, o sistema tem incluído, em média, cerca de 4,6 mil novas pessoas em situação de rua por mês — mais que o dobro da média registrada entre 2019 e 2022 (cerca de 2 mil mensais).

Goiás acima da média nacional

Em Goiás, o crescimento foi ainda mais acentuado. O estado registra atualmente 6.084 pessoas em situação de rua no CadÚnico, um aumento de 121% em relação ao início de 2023. Isso equivale a 86 pessoas nessa condição para cada 100 mil habitantes.

Explicações do governo e críticas

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) atribui parte do aumento ao aprimoramento do próprio sistema de cadastramento, à capacitação de equipes e à ampliação das ações de inclusão. A pasta também menciona fatores como desemprego, rompimento de vínculos familiares, violência e eventos climáticos extremos como contribuintes para o problema.

Essa visão é contestada pelo ex-ministro Osmar Terra (PL-RS), que argumenta que a metodologia de coleta de dados pelos municípios é a mesma há anos e que não seria possível explicar o salto apenas pela melhoria no cadastramento.

Medidas do governo federal

Para enfrentar a situação, o governo lançou em dezembro de 2023 o Plano Nacional Ruas Visíveis, com investimento inicial de R$ 982 milhões. Na época, o CadÚnico registrava 262,5 mil pessoas. Desde então, o número cresceu em cerca de 130 mil.

Em 2025, o governo também incluiu famílias com pessoas em situação de rua como prioritárias no Bolsa Família, medida que gerou questionamentos de parlamentares sobre o controle e a fiscalização dos benefícios.

Regiões com maior crescimento

Embora a maior concentração ainda esteja na Região Sudeste, o crescimento proporcional mais intenso ocorreu no Norte (+367%) e no Nordeste (+109%). Roraima liderou as variações entre os estados, influenciado especialmente pelo fluxo migratório na fronteira com a Venezuela.

O artigo original foi escrito por Bruna Ariadne e publicado em 06 de julho de 2026.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

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