Goiás recebe Oscar do transporte público e vira exemplo mundial

Modelo criado no governo Caiado tem eficiência de metrô, padrão de aeroporto nos terminais, ônibus com ar-condicionado e movido a biometano e uma das tarifas mais baratas do Brasil, congelada há 7 anos

O projeto de reformulação do transporte metropolitano da Grande Goiânia recebeu, essa semana, em Bruxelas, o UITP Awards, maior prêmio mundial de mobilidade urbana e, por isso, considerado o Oscar do setor. “O que nós fizemos no transporte público foi uma mudança radical”, diz o ex-governador Ronaldo Caiado, que iniciou o projeto em 2021. “Hoje temos um BRT com padrão de metrô, terminais com padrão de aeroporto e uma das tarifas mais baratas do Brasil.”

Pesquisa de opinião mostra que o transporte público é aprovado por 81% da população. Goiânia foi a única região metropolitana do Brasil a ver o número de passageiros superar os níveis de antes da pandemia. A Nova RMTC (Rede Metropolitana de Transporte Coletivo), como é chamada, impacta 2,7 milhões de moradores de 19 cidades da região metropolitana e ultrapassa 12 milhões de passageiros/mês.

A revolução no transporte público foi coordenada pelo governo de Goiás na gestão Caiado e todas as mudanças tiveram como foco o usuário. Os resultados são impressionantes para quem sofria com queda no número de passageiros, ônibus antigos e rotas lentas.

A frota de cerca de 1.300 ônibus foi trocada. Agora, todos têm ar-condicionado, Wi-Fi e câmeras de segurança. Foram refeitos ou construídos 6 terminais e 47 estações, com padrão de aeroporto e totens eletrônicos de atendimento. Os 4 mil abrigos existentes foram reformados e 3 mil novos abrigos foram instalados. A vigilância contra vandalismo é fortalecida por 6.560 câmeras de segurança.

A lógica de metrô permitiu aos ônibus ter um fluxo constante, cumprindo horários. Os sinais de trânsito foram redefinidos para facilitar a passagem dos ônibus. As paradas do BRT no sinal vermelho caíram 90% e as viagens em todo o sistema público estão 31% mais rápidas. Nos últimos dois anos, o total de passageiros aumentou consistentemente, com um acréscimo de 11,2% no total.

Mais eficiente e moderno, o sistema também é mais sustentável. Dos 1.300 ônibus, 500 são movidos a biometano, produzido regionalmente e garantindo mais emprego localmente. Além de não repassar as oscilações do preço do diesel para o passageiro, o biometano aproveita subprodutos da cana-de-açúcar que seriam descartados no meio ambiente. Outros 60 ônibus são elétricos. As emissões de gás carbônico caíram 53%.

A mudança no sistema de transporte está agora remodelando a cidade. Corredores do BRT estão recebendo paisagismo e parques e espaços públicos estão sendo entregues em torno das estações. Um sistema de bicicletas elétricas faz a integração do chamado último quilômetro, unido ruas e bairros aos terminais, completando, assim, a locomoção ponto-a-ponto.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

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