PT considerou voto de Wilder Morais para aprovação de Messias ao STF

Articulação política do partido incluía senador goiano em lista de possíveis apoiadores. Indicação de Jorge Messias, porém, foi rejeitada

Integrantes da articulação política do PT no Congresso elaboraram uma lista com os nomes de parlamentares que poderiam contribuir para a aprovação de Jorge Messias, indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles, constava o nome do senador por Goiás e presidente do PL no estado, Wilder Morais. A indicação de Messias acabou sendo vetada pelo Senado, por sete votos a menos que o mínimo necessário.

O senador do PL goiano, no entanto, não votou nem a favor nem contra a indicação de Messias. Ele não compareceu ao plenário para registrar seu voto e apareceu logo após o encerramento da votação, quando gravou um vídeo em comemoração ao resultado.

Após a repercussão negativa entre integrantes e apoiadores do PL, Wilder publicou um novo vídeo para justificar a ausência. Depois de afirmar que “errou no tempo”, acrescentou que “a sabatina na CCJ durou mais de cinco horas e a votação no plenário durou cinco minutos”.

Segundo ele, sua chegada ao plenário ocorreu “logo em seguida” à votação que barrou Messias. “Esse é o fato. Errei no tempo, mas não no meu posicionamento”. Ele concluiu: “Estão dizendo por aí que não fui votar porque eu era a favor do outro lado. É mentira. Em novembro do ano passado já me posicionei contra a indicação do ministro”.

“Posição clara”

Procurado pela reportagem para comentar a aparição de seu nome na lista do PT, Wilder destacou que a “credibilidade dessa lista já foi testada”. O senador destacou que “o líder do governo chegou a tratar essa votação como uma grande vitória antecipada, mas o resultado mostrou exatamente o contrário. O que o governo vendia como vitória acabou se revelando uma derrota acachapante”.

E continuou: “É importante lembrar que a obrigação do governo era conseguir os 41 votos favoráveis necessários para aprovar a indicação. Nesse cenário, o voto contrário, a ausência ou a abstenção têm o mesmo efeito prático: impedem que o governo alcance os 41 votos exigidos”.

Ele lembra que foi o primeiro do estado a declarar sua posição contrária ao nome de Messias, o que fez em novembro de 2025. “Nosso posicionamento sempre foi claro, público e coerente”, disse.

Outros nomes

A lista, obtida pelo jornalista Octavio Guedes, da GloboNews, também incluía outros representantes do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o presidenciável Flávio Bolsonaro. O documento trazia nomes de outros seis senadores do PL que, assim como Wilder, poderiam, ou não, apoiar o governo Lula na votação. São eles: Romário, Izalci Lucas, Marcos Rogério, Wellington Fagundes, Styverson Valentin e Zequinha Marinho.

Além desses, nomes emblemáticos como o de Ciro Nogueira, que, embora não pertença ao PL, foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro; de Tereza Cristina, que comandou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no mesmo período, e de Rodrigo Pacheco também figuravam na lista.

Ao todo, o documento apontava 45 nomes considerados votos certos a favor da indicação de Messias. Nesse grupo constava até senador do PL do Tocantins, Eduardo Gomes. Na projeção do PT, além dos 45 votos favoráveis, 21 parlamentares estariam indecisos e 17 seriam contrários ao nome indicado para o cargo.

Na prática, porém, o que se viu foi a primeira rejeição de um indicado ao STF em mais de 100 anos, com mais de 40 votos contrários. O resultado registrou 34 votos favoráveis e 42 contrários. O número é muito superior aos 17 votos negativos estimados pelos articuladores do PT na Casa.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

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