Quando a Humanidade Falha

Há notícias que não cabem em palavras. Elas não informam apenas — elas silenciam. Paralisam. Doem em um lugar onde a linguagem não alcança.

O que aconteceu não foi apenas um crime. Foi o colapso da humanidade dentro de um único homem.

Quando um pai tira a vida dos filhos para atingir a mãe, não estamos mais falando de raiva, separação ou disputa. Estamos diante de algo muito mais profundo e assustador: a falência moral absoluta. Um ponto em que o ser humano perde a capacidade de reconhecer o que é sagrado.

Filhos não são instrumentos de vingança.
Filhos não são território de disputa.
Filhos são vida. São inocência. São um espaço que deveria ser inviolável — até mesmo para quem perdeu tudo dentro de si.

Ali não houve apenas violência física. Houve a tentativa cruel de destruir emocionalmente uma mulher, atingindo o que ela tinha de mais precioso. Isso não é sobre o fim de um relacionamento. Quando um casal se separa, o vínculo conjugal termina — mas a responsabilidade de ser pai ou mãe permanece. Para sempre.

O problema é que existem pessoas que não suportam deixar de ser marido ou esposa… e, nesse processo, deixam de ser humanas.

Mas essa tragédia não nasce apenas em um momento. Ela é construída, muitas vezes, em silêncio. Nos sinais ignorados. Na obsessão confundida com amor. No controle tratado como cuidado. Na violência emocional minimizada como “problema de casal”.

Dois meninos sofreram pelas mãos de um pai. Mas também foram vítimas de uma sociedade que ainda normaliza comportamentos doentios, que relativiza o controle, o ciúme extremo, a posse disfarçada de sentimento.

Porque amor não é posse.
Amor não controla.
Amor não destrói.

A dor de uma mãe que perde seus filhos dessa forma não encontra reparo, não encontra explicação e não encontra tempo suficiente para cicatrizar.

E a pergunta que fica não é jurídica. Não é política. Não é estatística.

É humana.

Que tipo de sociedade estamos formando… se ainda existe alguém que acredita que pode ferir uma mulher destruindo aquilo que ela tem de mais sagrado?

Que essa dor nos desperte. Que nos faça enxergar os sinais antes da tragédia. Que nos ensine, de uma vez por todas, que nenhuma relação justifica a perda da humanidade.

Porque quando a humanidade falha dentro de um, todos nós falhamos um pouco como sociedade.


Alan Ribeiro — Seu melhor amigo

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

Alan inicia seus trabalhos com o único objetivo, trazer a todos informação de qualidade, com opinião de pessoas da mais alta competência em suas áreas de atuação.

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