
A cada dia, uma nova notícia interrompe a rotina do país. Mais uma vida perdida. Mais uma família destruída. Mais uma tragédia que choca por algumas horas… e depois é rapidamente substituída pela próxima. É como se a morte estivesse se tornando apenas mais um item na linha do tempo — e isso revela algo profundamente preocupante sobre a nossa sociedade.
Recentemente, o Brasil acompanhou com tristeza o caso do jovem Rodrigo Castanheira, de apenas 16 anos, que morreu após ser brutalmente agredido pelo piloto Pedro Turra, de 19 anos, em uma briga no Distrito Federal. O adolescente ficou 16 dias internado, mas não resistiu aos ferimentos. O agressor está preso preventivamente.
Uma vida interrompida por um motivo banal. Uma discussão que poderia ter terminado em palavras, mas terminou em morte.
E esse não é um caso isolado.
Nos últimos anos, o país também se chocou com episódios de violência dentro das próprias escolas — ambientes que deveriam ser espaços de formação, segurança e esperança. Em Rondonia, o estudante João Júnior atacou sua professora e segundo ele sua ex namorada Juliana Santiago com uma arma branca, resultando em sua morte. Tragédias como essa revelam um cenário de crescente agressividade e perda de limites nas relações humanas.
Quando jovens matam por impulso, quando conflitos comuns terminam em violência extrema, quando a intolerância se transforma em tragédia, é sinal de que algo está profundamente errado.
O mais assustador, porém, é a rapidez com que tudo isso passa.
A comoção dura pouco. As redes sociais se enchem de indignação por um dia. Depois, o silêncio. Depois, o esquecimento. Depois, a próxima vítima.
Estamos nos acostumando com o absurdo.
A banalização da morte nasce quando a vida perde valor. Quando a raiva fala mais alto que o respeito.
Quando a frustração vira agressão. Quando a empatia desaparece. Quando a sociedade deixa de se indignar de forma profunda e permanente.
Não se trata apenas de segurança pública ou de leis mais rígidas — embora isso também seja necessário. Trata-se de algo maior: a crise de valores, de limites, de responsabilidade familiar, social e moral.
Uma sociedade que não ensina respeito, controle emocional e responsabilidade está formando pessoas incapazes de conviver com o diferente, com a frustração e com o conflito.
E o resultado é o que estamos vendo: brigas que viram homicídios, discussões que viram ataques, desentendimentos que terminam em funerais.
Cada vítima tem nome. Tem história. Tem família. Tem sonhos interrompidos.
Não podemos permitir que a morte se torne normal.
Precisamos resgatar o valor da vida. Precisamos falar sobre respeito, disciplina, empatia e limites dentro de casa, nas escolas e em toda a sociedade. Precisamos voltar a nos indignar — não apenas por um dia, mas até que a mudança aconteça.
Porque quando a morte se torna banal, a humanidade começa a se perder.
E o Brasil precisa, urgentemente, voltar a valorizar a vida.


