
Reeleito governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB) ainda não anunciou mudanças em seu secretariado para 2027, mas as articulações sobre uma possível reforma administrativa já movimentam os bastidores do Palácio das Esmeraldas. Entre permanências, remanejamentos e novas indicações, quase 30 nomes são mencionados para cargos estratégicos da próxima gestão.
A expectativa entre aliados é de que Daniel procure imprimir um ritmo próprio ao governo, com maior agilidade na execução de projetos e reorganização de áreas consideradas prioritárias.
Segundo informações divulgadas pelo Jornal Opção, deputados estaduais e interlocutores próximos ao governador afirmam que ele estaria avaliando alternativas, mas ainda não tomou decisões definitivas.
A eventual reforma também poderá abrir espaço para a reorganização das forças políticas que participaram da eleição, sem necessariamente afastar aliados que não conquistaram mandatos.
Entre os nomes que continuam no entorno político do governador estão Lucas Vergílio e Lincoln Tejota, que disputaram, respectivamente, vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, mas não foram eleitos.
Educação pode passar por mudanças
Uma das principais indefinições envolve a Secretaria de Estado da Educação.
Fátima Gavioli, que reassumiu o comando da pasta após disputar uma vaga de deputada federal, poderá deixar o governo goiano.
De acordo com relatos atribuídos a interlocutores políticos, ela teria recebido convites para integrar administrações estaduais no Paraná, em Minas Gerais e em Roraima.
Entre os possíveis destinos mencionados estão os governos de Sergio Moro e Cleitinho Azevedo.
Apesar das conversas, não há confirmação de que Fátima tenha aceitado alguma proposta ou decidido deixar Goiás. Sua permanência também poderia ser influenciada por uma eventual solicitação do ex-governador Ronaldo Caiado.
Outro nome lembrado para a Educação é José Frederico Lyra, atualmente ligado à área de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Áreas estratégicas concentram articulações
Na Secretaria-Geral de Governo, Gean Carvalho é mencionado como possível nome para permanecer na função. Aliados atribuem a ele participação importante na articulação política da campanha de reeleição.
Na área econômica, Renata Lacerda Noleto aparece entre os nomes cotados para continuar no comando da Secretaria da Economia.
Já a Casa Civil poderá passar por alterações. Vilmar Rocha é lembrado tanto para a chefia da pasta quanto para uma eventual Secretaria de Minas e Energia, cuja recriação é discutida em razão da importância crescente da exploração mineral e das terras raras em Goiás.
O atual chefe da Casa Civil, Bruno Belém, é citado para um possível remanejamento à Procuradoria-Geral do Estado.
Para a chefia de Gabinete do governador, as conversas incluem Pedro Chaves, Irisneide Elias Costa e Paulo Ortegal. Os três também são mencionados para outras funções de articulação e assessoramento.
Saneago, Codego e Indústria e Comércio entram nas negociações
A presidência da Saneago é uma das posições que despertam interesse nas articulações políticas. Entre os nomes citados estão Agenor Mariano, Pedro Chaves e Bruno Magalhães D’Abadia, que também poderá permanecer no Ipasgo.
Na Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), Luizinho Antônio Oliveira Rosa é apontado para continuar na presidência, enquanto Judson Lourenço, atual vice-presidente, é considerado próximo ao governador.
A Secretaria de Indústria e Comércio também aparece nas conversas. Uma das possibilidades mencionadas é a aproximação administrativa entre a pasta e a Codego, embora não exista anúncio oficial de fusão.
O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, é citado como uma das lideranças que poderão participar das indicações para essa área.
Segurança Pública e Saúde também têm nomes cotados
Na Segurança Pública, Gustavo Carlos Ferreira, atual subsecretário da área, é mencionado como possível indicado para a Diretoria-Geral da Polícia Civil.
O coronel Joneval Júnior aparece entre os interlocutores do governador na Polícia Militar e poderá permanecer na corporação ou assumir outra função.
Também é citado o coronel Washington, que mantém relações políticas com Lincoln Tejota e Lucas Vergílio.
Na Saúde, o nome de Amanda Melo e Santos Limongi, atualmente subsecretária de Políticas e Ações em Saúde, é mencionado para uma possível promoção ao comando da pasta.
Já o delegado Waldir Soares é lembrado para uma assessoria especial.
Cultura, Comunicação e outras secretarias
Na Secretaria de Comunicação, a expectativa relatada por interlocutores é de permanência do jornalista Bruno Rocha Lima.
Na Cultura, Yara Nunes aparece entre os nomes que poderão continuar. Kleber Adorno também é mencionado como interessado na função, enquanto Leopoldo da Veiga Jardim teria apoio de integrantes ligados ao Sesc e à Fecomércio, embora tenha manifestado desinteresse pelo cargo.
José Frederico Lyra poderá permanecer na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, caso não seja deslocado para a Educação.
Outros nomes presentes nas articulações são Waguinho Siqueira, André “Boi” Carneiro e Euler Moraes. Este último é mencionado para funções relacionadas à Administração, ao planejamento ou ao núcleo próximo do governador.
Pábio Mossoró aparece como possível indicado para a Secretaria do Entorno do Distrito Federal, com apoio atribuído ao deputado Célio Silveira.
Na Goinfra, José Mário Schreiner é lembrado tanto para assumir a presidência quanto para participar da indicação de quem comandará o órgão.
Andrei Azeredo, por sua vez, é citado como indicado para a Superintendência Financeira da Secretaria da Educação.
Lucas Vergílio pode integrar o governo
Entre os aliados que não conseguiram se eleger, Lucas Vergílio é um dos nomes mencionados para assumir uma secretaria, inclusive a de Governo.
Nos bastidores, também se discute uma eventual composição que envolva a nomeação de um deputado federal eleito pelo MDB para o Executivo, o que poderia alterar a ocupação de vagas na Câmara dos Deputados.
Essa hipótese, entretanto, depende da ordem de suplência, das regras eleitorais e de decisões políticas ainda não anunciadas.
Lincoln Tejota também é considerado um aliado que poderá continuar participando das articulações do grupo governista.
Decisões ainda dependem do governador
Apesar da quantidade de nomes em circulação, Daniel Vilela não apresentou oficialmente uma lista de substituições ou permanências para 2027.
As informações refletem sondagens e avaliações de interlocutores políticos, e não nomeações confirmadas.
A expectativa é de que o governador conduza as negociações com os partidos e lideranças de sua base antes de anunciar a composição definitiva do secretariado.
A eventual reforma poderá combinar continuidade administrativa, mudanças em áreas estratégicas e acomodação de aliados políticos, mas seu alcance só será conhecido após as decisões oficiais do Executivo estadual.



