
Estava com 3 anos, no início da década de 1960, quando minha família se mudou do interior para Goiânia. Fomos morar num bairro de imigrantes, sobretudo nordestinos, que vieram construir as novas capitais, a federal e a do Estado. Se hoje vive-se a era dos reels, vivi a era dos rios. O bairro, o Setor Marechal Rondon, fica num lugar bonito, entre dois cursos d’água, o córrego Capim Puba e o ribeirão batizado em homenagem a minha terra natal, Anicuns.
A numerosa filharada de todas as casas só era vista pelos pais no almoço e na hora de dormir. Além de ler e bater uma bolinha, nossas brincadeiras eram nadar, mergulhar, pescar. Luzia, minha mãe, alertava-nos quanto a um companheiro frequente, o perigo das cobras. Ainda não havia a conscientização de preservá-las para o Instituto Butantan, criado pelo maior injustiçado do Nobel de Medicina, Vital Brazil Mineiro da Campanha, que, como o nome adianta, era… mineiro de Campanha, no Sul do Estado. A molecada escutava o que, em 2016, o presidente Lula (PT) recomendaria, estraçalhar no local certo: “Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo, e a jararaca está viva como sempre esteve”. Em agosto deste ano, repetiu:
“Venho aqui [à Minas Gerais de Vital Brazil] não pra mostrar o pau, venho aqui pra mostrar a cobra morta. O mentiroso antigamente falava: ‘Mato a cobra e mostro o pau’. Isso não prova que matou a cobra. Eu não quero mostrar pau pra ninguém. Eu quero mostrar a cobra morta”.
É vital o Brasil bater na cabeça da cobra e exibir o cadáver, como repetiu o mentiroso de antigamente. Desde que levou pauladas no 1º turno, a serpente está usando suas presas na imprensa para repetir os vazamentos que seleciona do celular de Daniel Vorcaro e bater em Flávio Bolsonaro (PL) e no ministro do STF Kassio Nunes Marques, que preside o TSE. Publica, requenta o já publicado, publica de novo e nos próximos 60 minutos é reescrita novamente. O título da matéria diz uma coisa, o texto o desmente e fica valendo a chamada morruol.
O Brasil não pode continuar vítima do extrato alcoólico do óleo de fígado. Para isso, é necessário que os governadores consagrados no 1º turno façam manifestações maiores que as da esquerda, no estilo da direita, sem bagunça. Cleitinho Azevedo deve movimentar a Grande BH e o Triângulo. Tarcísio de Freitas tem de sacudir São Paulo, o ABC, Ribeirão Preto e a Baixada Santista. Não dá tempo de Douglas Ruas visitar todas as suas xarás, no entanto, é possível varrer o Grande Rio e a Baixada Fluminense. Vale para Daniel Vilela (GO), Otaviano Pivetta (MT), Eduardo Riedel (MS) e Celina Leão (DF) no Centro-Oeste; Mailza Assis (AC), Dr. Daniel (PA), Marcos Rogério (RO) e Arthur Henrique (RR) no Norte; JHC (AL), o ainda indeciso Eduardo Braide (MA) e até Ciro Gomes (CE), no Nordeste; Sergio Moro (PR), Jorginho Mello (SC) e Luciano Zucco (RS) no Sul. Em seus respectivos Estados, ninguém os supera em poder de mobilização.
Flávio conta ainda, além da imensa massa anti-PT e dos liberais convictos, com os ases em transformar postagens em votos, Nikolas Ferreira (MG), Lucas Pavanato (SP), Gustavo Gayer (GO), Carlos Bolsonaro (SC). Entre os evangélicos, a imbatível ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. É a hora de esses campeoníssimos das eleições esmagarem a cabeça da serpente.
Até o início da noite de 25.out.2026, ninguém estará eleito presidente da República. Lá para as 22h, tudo bem, exibe-se a aposentadoria da jararaca. Sabe-se que é iniciativa de boquirrotos e até dos adversários listar eventuais integrantes da equipe de Flávio enquanto a cascavel toca o chocalho amarrado na canela ensebada pelo pacote de ilusões. É um saco sem fundos (no sentido financeiro) para as iniciativas demagógicas. Os eleitores das diferentes ideologias, ainda mais os alheios a qualquer delas, sabem que Flávio é o avesso disso tudo que aí está, mas só pode aplicar o antídoto após o mandato da cobra que é o fim da picada. Prevenção a essa espécie de serpente, receita dela mesma, é acertar-lhe a cabeça.
Nikolas, Gayer e Pavanato precisam esmiuçar nas redes sociais que Lula está sempre tentando impedir a morte pelo veneno que inocula. É assim com os microempresários individuais, que seu governo destrói com juros de até 23% ao mês e vem com perdão de última hora. Autoriza não emitir nota, porém, não elimina as causas da quebradeira, os juros, o crédito que não desenrola, a série de tributos que voltarão logo após o 2º turno, inclusive o dos combustíveis.
Dona Luzia criou mais de 20 filhos entre os próprios e os agregados, então, tinha o cacoete de mãe. Sabendo que era impossível impedir a meninada de ir para as beiras de córrego, tomava as providências: a gente sabia nadar, só andava calçado e tinha horário rígido para retornar. É o que falta à direita: preparar-se, convencer o eleitorado de que o governo de Flávio vai possibilitar ao País ter mais Vital Brazil que Lula. De preferência, nenhum.
Demóstenes Torres



