
Primeiro procedimento do tipo realizado no hospital representa avanço na estruturação do serviço de Radiologia Intervencionista e amplia as possibilidades de tratamento locorregional de tumores hepáticos
O Araújo Jorge – Hospital de Câncer realizará a primeira quimioembolização hepática de sua história, procedimento minimamente invasivo utilizado no tratamento locorregional de tumores do fígado, nesta sexta-feira (09/10) a partir das 13h. A técnica será realizada em um paciente com cirrose hepática e um tumor hepático com características típicas ao exame de imagem.
A quimioembolização transarterial hepática (TACE) é uma das opções terapêuticas utilizadas em pacientes com tumores hepáticos, especialmente em situações nas quais o tratamento cirúrgico ou o transplante não são, naquele momento, as alternativas mais adequadas. A indicação é individualizada e depende das características do tumor, da função hepática, das condições clínicas do paciente e da avaliação multidisciplinar.
O procedimento permite atuar diretamente na região do tumor, utilizando a própria circulação sanguínea para levar o tratamento até a lesão. Dessa forma, busca-se aumentar a concentração do medicamento no tumor e, simultaneamente, reduzir o fluxo sanguíneo que o alimenta.
Como funciona a quimioembolização
A técnica é realizada por um radiologista intervencionista, com acesso arterial percutâneo por meio de uma pequena punção, geralmente na artéria da virilha ou do punho. Através de um cateter, o médico navega pelos vasos sanguíneos até alcançar, de forma seletiva, as artérias responsáveis pela irrigação do tumor.
Com auxílio da angiografia, exame de imagem que permite visualizar os vasos sanguíneos em tempo real, é possível identificar os ramos que levam sangue à lesão e direcionar o tratamento com precisão.
Após a cateterização seletiva da artéria hepática e a identificação dos vasos nutridores do tumor, são administrados medicamentos quimioterápicos diretamente na circulação que chega à lesão, associados a partículas utilizadas para provocar a redução do fluxo sanguíneo para o tumor.
O objetivo é combinar dois efeitos: aumentar a concentração local do quimioterápico e reduzir a irrigação sanguínea da lesão. Com isso, busca-se provocar a necrose do tecido tumoral e contribuir para o controle da doença, preservando ao máximo o parênquima hepático saudável.
Por ser realizada por meio de uma pequena punção, sem necessidade de uma grande incisão cirúrgica, a quimioembolização é considerada um procedimento minimamente invasivo. Após a realização, o paciente permanece em observação e recebe acompanhamento da equipe médica, de acordo com sua condição clínica e as características do procedimento.
Um marco para o hospital
A realização da primeira quimioembolização hepática representa um avanço na estruturação do serviço de Radiologia Intervencionista do Araújo Jorge. A implantação dessa modalidade permite ampliar o acesso dos pacientes com tumores hepáticos a tratamentos realizados dentro do próprio hospital, reduzindo a necessidade de encaminhamento para outros centros quando houver indicação para essa abordagem.
“É um procedimento que une tecnologia, precisão e conhecimento multidisciplinar. Conseguimos chegar ao tumor através dos vasos sanguíneos, administrar o tratamento diretamente na região que queremos tratar e, ao mesmo tempo, reduzir o fluxo sanguíneo que alimenta a lesão”, explica Alberto Rassi, radiologista intervencionista responsável pelo procedimento.
A realização da quimioembolização envolve atuação multidisciplinar, com participação das equipes de Radiologia Intervencionista, Hepatologia/Gastroenterologia, Oncologia, Anestesia e Enfermagem, conforme as necessidades de cada paciente.
Sobre o Araújo Jorge – Hospital de Câncer
Instituição filantrópica com 70 anos de atuação, o Araújo Jorge é referência em oncologia no Estado de Goiás e atende pacientes dos 246 municípios goianos, além de pacientes de outros estados. Em 2025, foram 81.732 pacientes atendidos, 11.571 procedimentos cirúrgicos, 114.105 aplicações de quimioterapia e 57.553 aplicações de radioterapia.
O hospital oferece serviços de oncologia pediátrica, radioterapia, radiocirurgia, transplante de medula óssea, cuidados paliativos, cirurgias oncológicas, ensino e pesquisa.



