
Em Goiás, candidato criticou ausência em debates e defendeu discussão sobre violência, corrupção, juros e endividamento; também falou sobre Inteligência Artificial e política externa
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu, nesta quarta-feira (30), a participação dos candidatos no debate presidencial da TV Globo, marcado para esta quinta-feira (1º). Durante coletiva na Cidade de Goiás (GO), ele afirmou que a presença dos concorrentes é uma forma de respeito à democracia e criticou o que considera um desvio do foco da campanha para temas que, segundo ele, não correspondem às principais preocupações da população. Caiado participou de carreata na Cidade de Goiás e depois seguiu para agendas em Luziânia e Valparaíso de Goiás, no entorno de Brasília.
“É um respeito à democracia. Você não pode imaginar uma campanha eleitoral que você não tenha os candidatos ali presentes para apresentar as suas defesas e também responder aquilo que a sociedade precisa saber”, afirmou.
Segundo Caiado, a campanha deveria priorizar temas como corrupção, violência, juros e endividamento da população. Ele também criticou o espaço ocupado, ao longo da disputa, por questões relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à religiosidade. “Infelizmente, a crise do Supremo Tribunal Federal, depois quiseram envolver até a religiosidade nesse debate. Enfim, distorceram totalmente e não debateram aquilo que a sociedade precisa”, lamentou.
A assessoria do presidente Lula anunciou nesta quarta-feira (30) que ele não participará do debate da TV Globo. O encontro será o último debate entre os candidatos à presidência antes do primeiro turno.
Inteligência Artificial
Caiado defendeu que o Brasil avance no desenvolvimento de Inteligência Artificial (IA) com base em código aberto e controle ético. Para ele, o país deve aproveitar o potencial da tecnologia para melhorar a qualidade de vida da população sem restringir o desenvolvimento de novas aplicações. “Primeiro, código aberto. Jamais vou me opor à inteligência, à capacidade de desenvolvimento, mas com graves controles, sérios controles de limites. O controle ético jamais pode romper aquilo que se exige com respeito à humanidade”, afirmou.
O candidato também defendeu que o Brasil desenvolva tecnologia própria, em vez de se limitar à compra de soluções estrangeiras. “O Brasil não pode ser comprador de tecnologia. O Brasil tem que estar num passo avançado. É código aberto, é liberdade para que a inteligência possa produzir as melhores plataformas para que a gente desenvolva o nosso país”, disse. Segundo Caiado, eventuais usos indevidos da tecnologia devem ser enfrentados com penalização, sem impedir o desenvolvimento de novas ferramentas.
Na política externa, Caiado defendeu uma postura de autonomia e pragmatismo nas relações comerciais brasileiras. Segundo ele, o país não deve se atritar com Estados Unidos e China, que classificou como “dois maiores parceiros do Brasil”, destacando os investimentos americanos e a China como principal mercado brasileiro. “O Brasil não tem que ficar na dependência de ninguém. O Brasil é autônomo”, afirmou. Para o candidato, cabe ao Itamaraty conduzir uma política de entendimento comercial, enquanto o Brasil utiliza sua capacidade de produção de alimentos, disponibilidade de água e reservas de minerais críticos para ampliar sua presença no mercado internacional.
Caiado também voltou a defender o uso das Forças Armadas no combate ao crime organizado na Amazônia e reiterou sua proposta de classificar facções criminosas como terroristas. Segundo ele, grupos brasileiros e estrangeiros já atuam na região e exigem uma resposta coordenada do Estado.



