
João Adibe quer colocar a marca Super, da Cimed, nas camisas como patrocínio os clubes de futebol brasileiros após o fim das bets anunciado pelo governo Lula. – Fotos: reprodução/ Instagram/ @joaoadibe / divulgação
Times de futebol não precisam mais chorar, após perderem o patrocínio das bets: o presidente da Cimed, o empresário João Adibe, anunciou que pretende patrocinar clubes de todo o Brasil e convidou os dirigentes a procurarem a empresa farmacêutica. A proposta foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais que já tem 1,8 milhão de visualizações. Assista abaixo.
O anúncio veio após o presidente Lula assinar, na sexta-feira (25), uma medida provisória que proíbe as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil. A medida também determina o fim da publicidade e dos patrocínios das bets. Clubes de futebol, que reclamaram muito, terão até 5 de outubro para retirar essas marcas das camisas e de outros materiais publicitários.
No vídeo, João Adibe aparece reunido com integrantes da equipe da Cimed. Ao ouvir que os clubes precisarão encontrar novos patrocinadores, ele anuncia a intenção de ampliar os investimentos da empresa no futebol. E surpreende com uma declaração: “Não temos limite de patrocínio, hein? Não temos limite”, afirmou o empresário.
O sonho de patrocinar todos os clubes
A Cimed já patrocina o Palmeiras, o Cruzeiro e a Seleção Brasileira. A proposta agora é ampliar a presença da marca Super nos uniformes de outros clubes do país. No vídeo, um integrante da equipe comenta o fim das apostas online e lembra que os clubes terão de retirar as marcas das bets dos uniformes e centros de treinamento.
João aproveita a oportunidade e revela os planos da empresa. “A gente tem um sonho de patrocinar todos os clubes do Brasil através da nossa marca Super”, afirma.
A conversa fica descontraída. Cada integrante começa a defender o próprio time de coração, e surgem nomes como Palmeiras, Cruzeiro e Botafogo. O empresário incentiva a equipe a procurar os clubes e reforça o convite aos dirigentes. “Marca a reunião”, diz um dos participantes da reunião.
Como as bets chegaram ao Brasil
A história das bets no país começou oficialmente em dezembro de 2018, durante o governo Michel Temer. Naquele ano, o Congresso Nacional aprovou a Lei 13.756, sancionada por Temer, que legalizou as apostas esportivas de quota fixa, realizadas pela internet ou presencialmente.
Jair Bolsonaro entrou, fechou os olhos e passou o governo inteiro sem regulamentar, ou seja, sem delimitar, fiscalizar e dizer como as bets deveriam trabalhar no Brasil e as apostas esportivas continuaram.
Em 2023, já no governo Lula, uma nova legislação estabeleceu regras para o funcionamento das empresas, a tributação e a proteção dos apostadores. Em 2024, o Ministério da Fazenda criou a Secretaria de Prêmios e Apostas e publicou as normas de regulamentação do setor. O mercado autorizado passou a funcionar sob essas regras em 2025. Mas não foi suficiente para conter o poder das bets que tornaram brasileiros dependentes e tiraram milhões de reais de famílias brasileira.
Fim das bets no Brasil
Na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, Lula assinou a Medida Provisória 1.394, que determina o fim da exploração, da oferta e da publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. A proibição inclui as apostas esportivas e os jogos de cassino online, como o popular jogo do tigrinho.
A medida estabelece que os sites e aplicativos das bets deverão sair do ar a partir de 6 de outubro. Os apostadores poderão retirar voluntariamente o dinheiro das contas até 5 de outubro. Os valores restantes deverão ser devolvidos pelas instituições financeiras nos prazos previstos na MP.
A decisão foi anunciada pelo governo como uma medida de saúde pública, diante do crescimento dos problemas relacionados às apostas. E foi considerada eleitoreira pela oposição por acontecer a 10 dias das eleições.
A dependência dos brasileiros
Dados apresentados pelo Ministério da Saúde mostram que, em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa. Desse total, 10,9 milhões apresentavam comportamento de jogo de risco ou problemático. Isso não significa que todos tivessem diagnóstico de dependência.
Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados ao jogo patológico e a problemas com apostas cresceram quase 140% no SUS. O transtorno pode provocar endividamento, ansiedade, depressão e conflitos familiares, além de prejuízos à vida profissional.
Agora, a medida provisória do governo Lula já está em vigor, mas precisará ser aprovada pelo Congresso Nacional para continuar valendo.
E os clubes que dependiam financeiramente das casas de apostas terão de buscar novos patrocinadores. A Cimed é uma das empresas que manifestaram publicamente interesse em ocupar esse espaço.
João ainda não anunciou quais equipes poderão receber os novos patrocínios nem os valores dos possíveis contratos.



