
O Tribunal Superior Eleitoral não pode impedir o eleitor do Distrito Federal de escolher livremente entre José Roberto Arruda, Celina Leão, Leandro Grass, Ricardo Cappelli e Paula Belmonte.
O senador Izalci Lucas e o deputado Alberto Fraga, ambos do PL, apoiam Arruda (PSD) para o governo do DF. A deputada Bia Kicis também demonstra simpatia pelo ex-governador. Eles o conhecem bem e acreditam que os brasilienses têm o direito de “resgatar” a cidade-Estado de quem, direta ou indiretamente, se envolveu em irregularidades.
A negociação entre o BRB e o Banco Master, liderada por Paulo Henrique Costa, resultou em perda de cerca de R$ 12 bilhões para o banco público. Não há prova de envolvimento direto de Celina Leão. Porém, como vice-governadora na época, ela poderia ter se posicionado contra o acordo lesivo ao Erário. Não o fez. Até agora, sua gestão não apresentou solução concreta para o BRB. Sua reeleição, portanto, pode significar o sacrifício do banco e do patrimônio dos brasilienses.
Arruda, se eleito, teria melhores condições de negociar a salvação do BRB. É um articulador experiente e conta com o apoio da bancada do PSD, uma das mais fortes no Congresso. O mesmo se aplica a Leandro Grass (PT), próximo do presidente Lula. Já Celina depende da boa vontade do governo federal, que tem interesse eleitoral em fortalecer o próprio candidato.
A dúvida sobre a elegibilidade de Arruda funciona como trava política. Ele registrou a candidatura e está na disputa. Cabe ao TSE decidir se libera ou não em caráter definitivo. Penalizar novamente quem já pagou judicial e politicamente pelos erros do passado é transformar a Justiça em instrumento de vingança.
As pesquisas mostram Celina à frente, mas com margem apertada (32%). Arruda aparece com 23,3% e Grass com 12,5%. Juntos, os dois superam a governadora. Sem a máquina pública, Arruda já é competitivo. Se o TSE o confirmar, pode assumir a liderança.
Celina prefere enfrentar Grass. A polarização esquerda versus direita favorece a atual governadora em Brasília, cidade relativamente conservadora. Arruda, por ser um nome aglutinador, representa risco maior para ela.
O TSE deve provar independência e deixar o povo decidir. No dia 4 de outubro, os eleitores do Distrito Federal têm o direito de escolher, sem tutela, quem consideram o mais preparado para governar.



