
Vinte e cinco anos depois, o mundo recorda as vítimas dos atentados contra as Torres Gêmeas e o Pentágono e homenageia a coragem dos passageiros e tripulantes do voo 93
Na manhã de 11 de setembro de 2001, o mundo assistiu a uma das maiores tragédias da história contemporânea. O que deveria ser apenas mais um dia de trabalho, viagens, encontros e compromissos transformou-se em uma manhã de terror, sofrimento e despedidas.
Às 8h46, o primeiro avião sequestrado atingiu a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York. Dezessete minutos depois, às 9h03, outro avião foi lançado contra a Torre Sul. Às 9h37, uma terceira aeronave atingiu o Pentágono, símbolo do poder militar dos Estados Unidos.
Em poucos minutos, vidas foram interrompidas, famílias foram destruídas e o mundo perdeu parte de sua inocência.
O número oficial de pessoas mortas diretamente nos atentados daquele dia é de 2.977 vítimas, sem contar os 19 terroristas responsáveis pelos sequestros. Foram 2.753 pessoas mortas em Nova York, 184 no Pentágono e no voo 77, e 40 passageiros e tripulantes no voo 93. As vítimas pertenciam a mais de 90 países. Os números são confirmados pelo Memorial e Museu Nacional do 11 de Setembro.
Entretanto, nenhuma estatística consegue mostrar completamente o tamanho da dor.
Não eram apenas números. Eram pais e mães que saíram de casa acreditando que voltariam para jantar com seus filhos. Eram esposos, esposas, irmãos, amigos, trabalhadores, visitantes e viajantes que carregavam sonhos, planos e esperanças.
Alguns estavam começando a vida. Outros construíam uma história havia décadas. Todos tinham alguém esperando por eles.
Quando as Torres Gêmeas foram atingidas, milhares de pessoas tentaram desesperadamente deixar os edifícios. Enquanto uma multidão descia as escadas em busca da vida, bombeiros, policiais, paramédicos e profissionais de emergência faziam o caminho contrário: subiam em direção ao fogo, à fumaça e ao perigo.
Eles sabiam que poderiam não retornar, mas avançaram porque havia pessoas precisando de ajuda.
Muitos morreram cumprindo a missão de salvar desconhecidos. Outros sobreviveram, mas carregaram para sempre as marcas físicas e emocionais daquela manhã. Nos anos seguintes, milhares de socorristas, trabalhadores e moradores também morreram ou adoeceram em consequência da exposição à poeira e às substâncias tóxicas liberadas no desabamento. Essas mortes posteriores não estão incluídas nas 2.977 vítimas contabilizadas naquele dia, mas fazem parte da dolorosa herança do 11 de Setembro, conforme registra o Arquivo Nacional dos Estados Unidos.
Em meio a tanta destruição, uma história de coragem ganhou um lugar eterno na memória da humanidade.
O voo 93 da United Airlines levava 33 passageiros e sete tripulantes, além dos quatro sequestradores. Durante o voo, passageiros e membros da tripulação conseguiram telefonar para familiares e autoridades. Foi assim que souberam que outros aviões haviam atingido as Torres Gêmeas e o Pentágono.
Eles compreenderam que sua aeronave também seria usada como arma.
Diante da certeza de que dificilmente sobreviveriam, aquelas pessoas tomaram uma decisão extraordinária: reagir. Não eram soldados treinados para uma batalha. Eram cidadãos comuns colocados diante de uma situação inimaginável. Mesmo dominados pelo medo, decidiram que não permitiriam que outras vidas fossem destruídas sem resistência.
Às 9h57, passageiros e tripulantes iniciaram a tentativa de retomar o controle da aeronave. Houve luta dentro do avião. Percebendo que poderiam ser vencidos, os terroristas derrubaram o voo 93 em um campo próximo a Shanksville, na Pensilvânia, às 10h03.
Todos morreram, mas o avião não alcançou Washington.
As investigações indicam que o alvo mais provável era o Capitólio dos Estados Unidos, onde funcionam o Senado e a Câmara dos Representantes. A Casa Branca também havia sido considerada pelos terroristas, mas as evidências históricas apontam principalmente para o Capitólio. A reação dos passageiros e tripulantes impediu que a aeronave atingisse seu provável alvo e evitou uma tragédia ainda maior. O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos registra essa conclusão e preserva a história do voo 93.
Aqueles 40 homens e mulheres não escolheram a situação que enfrentaram, mas escolheram como responder a ela. Em seus últimos minutos, demonstraram que a coragem não é a ausência do medo. Coragem é agir apesar do medo, especialmente quando o propósito é proteger outras pessoas.
Vinte e cinco anos se passaram, mas o 11 de Setembro não pode ser reduzido a imagens de aviões, fogo, fumaça e edifícios desabando. Sua memória pertence, sobretudo, às vítimas.
Pertence às pessoas que seguraram as mãos umas das outras nos momentos finais. Aos profissionais que entraram nas torres para salvar desconhecidos. Aos passageiros e tripulantes que enfrentaram os terroristas. Aos familiares que precisaram aprender a conviver com cadeiras vazias, abraços interrompidos e despedidas que nunca puderam ser feitas.
Recordar o 11 de Setembro não significa alimentar o ódio contra povos ou religiões. Significa rejeitar o extremismo, o terrorismo e toda ideologia que transforme seres humanos inocentes em alvos. A violência praticada por extremistas jamais poderá representar a fé ou a dignidade de comunidades inteiras.
Que os nomes das 2.977 vítimas continuem sendo pronunciados com respeito. Que a coragem dos socorristas permaneça como exemplo de amor ao próximo. E que o sacrifício dos passageiros e tripulantes do voo 93 nos recorde que, mesmo diante da maldade mais cruel, o ser humano ainda pode escolher a solidariedade, a união e a coragem.
O tempo passa, mas algumas ausências nunca desaparecem.
11 de setembro de 2001: lembrar é respeitar, homenagear e assumir o compromisso de nunca permitir que o ódio tenha a última palavra.
Alan Ribeiro — Jornalista e Blogueiro


