Setembro Amarelo reforça importância do diálogo na prevenção ao suicídio

Campanha destaca que conversar, acolher e buscar ajuda podem transformar vidas e fortalecer a saúde emocional

A informação, o acolhimento e a escuta qualificada são fundamentais na promoção da saúde mental e na prevenção ao suicídio. Durante o Setembro Amarelo, campanha nacional dedicada à valorização da vida, o Araújo Jorge – Hospital de Câncer reforça a importância de ampliar o diálogo sobre saúde emocional, combater o estigma em torno do sofrimento psíquico e incentivar a busca por apoio diante de momentos de dificuldade.

Com o tema “Falar também é se cuidar”, a campanha de 2026 do Araújo Jorge destaca o poder transformador da escuta empática e do acolhimento. A iniciativa reforça que falar sobre sentimentos e oferecer apoio a quem enfrenta sofrimento emocional podem representar um passo importante na prevenção ao suicídio.

O Setembro Amarelo completa mais de uma década mobilizando instituições, profissionais de saúde e a sociedade em torno da conscientização sobre a valorização da vida. Ao longo dos anos, a campanha contribuiu para ampliar o debate sobre saúde mental e fortalecer a compreensão de que o suicídio é um problema de saúde pública que pode ser prevenido.

A importância do diálogo

O sofrimento emocional pode afetar pessoas de todas as idades e, muitas vezes, manifesta-se de forma silenciosa. Por isso, a escuta atenta, o acolhimento sem julgamentos e o incentivo à procura por ajuda especializada são atitudes que podem fazer diferença na vida de quem enfrenta momentos de vulnerabilidade.

No ambiente hospitalar, o cuidado com a saúde vai além do tratamento físico. Pacientes oncológicos e seus familiares podem vivenciar desafios emocionais relacionados ao diagnóstico, ao tratamento e às mudanças impostas pela doença, tornando ainda mais importante o acesso ao suporte psicológico e às redes de apoio.

No Araújo Jorge, o acompanhamento psicológico integra o cuidado multidisciplinar e está disponível tanto para pacientes quanto para familiares. A equipe é formada por psicólogos especialistas em Psicologia Hospitalar, que atuam nas enfermarias e no ambulatório, além de estarem presentes em setores como UTIs, Pediatria e Radioterapia. O atendimento também contempla o suporte às equipes médicas e multiprofissionais em situações de urgência ou de forma eletiva.

“O acompanhamento psicológico é primordial para proporcionarmos um tratamento humanizado. Trabalhamos com atendimento psicoeducativo, escuta acolhedora e desmistificação de crenças errôneas, buscando reduzir a insegurança, a ansiedade e os medos, além de favorecer uma melhor compreensão das condutas indicadas durante a jornada do tratamento oncológico”, explica Edirlene Alves, supervisora de Psicologia Hospitalar do Araújo Jorge – Hospital de Câncer.

Segundo a profissional, o trabalho da Psicologia acompanha diferentes momentos da trajetória do paciente. “Realizamos preparo psicológico para cirurgia, quimioterapia, radioterapia e transplante de medula óssea. Também prestamos apoio psicológico durante o pós-operatório, diante de situações de fragilidade emocional do paciente e de seu familiar, e oferecemos suporte à família no pós-óbito imediato de seu ente querido”, relata.

A atuação também está presente nas visitas familiares às UTIs e na discussão de casos com as equipes médicas e multiprofissionais. “É rotina discutirmos casos clínicos com as equipes, visando um melhor entendimento e atendimento aos pacientes. Nas UTIs, as visitas da família são acompanhadas pelas psicólogas, oferecendo suporte em um momento que pode ser especialmente delicado”, acrescenta Edirlene.

Para a psicóloga, ter acesso ao atendimento desde o início pode contribuir para que o paciente enfrente o tratamento com mais segurança e compreensão. No Araújo Jorge, todos os pacientes têm direito ao acompanhamento psicológico, sem necessidade de encaminhamento médico. Os agendamentos podem ser realizados diretamente na sala de Psicologia, por meio do telefone institucional ou presencialmente.

A experiência de quem passa pelo tratamento também evidencia a importância desse suporte. Regilene Ferreira Gomes, paciente em tratamento contra o câncer de bexiga, conta que o acompanhamento psicológico foi fundamental para lidar com o impacto do diagnóstico.

“Assim que descobri que estava com câncer de bexiga, fiquei muito abalada. Mas, assim que o médico me encaminhou para a Psicologia, fiquei mais tranquila. Foi aí que meu psicológico começou a melhorar. As psicólogas são excelentes profissionais, acompanham meu tratamento e, graças a Deus e a elas, meu psicológico melhorou e minha autoestima aumentou. Continuo tendo um bom atendimento e sou muito bem recebida por elas”, relata.

Sinais de alerta

“Mudanças persistentes no comportamento, isolamento social, tristeza intensa, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono ou no apetite, sentimentos de desesperança e falas relacionadas ao desejo de morrer ou de não continuar vivendo merecem atenção e devem ser levadas a sério”, alerta Edirlene.

Diante desses sinais, é importante oferecer acolhimento, incentivar a procura por atendimento especializado e evitar julgamentos. Buscar ajuda precocemente pode contribuir para a prevenção e para a recuperação da saúde emocional.

Mais do que identificar sinais de sofrimento, é importante estar disponível para ouvir. Perguntar como a pessoa está, demonstrar interesse genuíno e oferecer ajuda são atitudes que podem reduzir o isolamento e fortalecer os vínculos.

Rede de apoio

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito, voluntário e sigiloso, disponível 24 horas por dia, pelo telefone 188 e pelo site www.cvv.org.br, onde também é possível acessar atendimento por chat e e-mail.

O serviço é realizado por voluntários capacitados para oferecer escuta acolhedora e respeitosa, representando um importante canal de apoio para pessoas que enfrentam sofrimento emocional ou que precisam conversar.

Além do suporte oferecido pelo CVV, pessoas em sofrimento psicológico devem buscar atendimento com profissionais de saúde e utilizar os serviços disponíveis na rede pública e privada de assistência em saúde mental.

Conscientização

O ponto alto da campanha ocorre em 10 de setembro, quando é celebrado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Ao incentivar conversas abertas sobre saúde mental e promover uma rede de acolhimento, o Setembro Amarelo contribui para reduzir o estigma, ampliar o acesso ao apoio emocional e reforçar que ninguém precisa enfrentar momentos difíceis sozinho.

“Falar sobre aquilo que sentimos pode ser o primeiro passo para buscar ajuda. No contexto do tratamento oncológico, sabemos que existem medos, inseguranças e momentos de fragilidade. Por isso, é fundamental que o paciente e sua família saibam que podem contar com uma equipe preparada para escutar, acolher e orientar”, destaca a psicóloga.

A valorização da vida começa com a disposição para ouvir, acolher e orientar quem precisa de ajuda. Falar também é se cuidar.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

Alan inicia seus trabalhos com o único objetivo, trazer a todos informação de qualidade, com opinião de pessoas da mais alta competência em suas áreas de atuação.

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