
Estudo usou inteligência computacional para analisar afinação, timbre, extensão vocal e outros critérios técnicos de gravações de artistas goianos.
Dupla Chrystian & Ralf: conhecidos como “a dupla mais afinada do Brasil”, marcaram os anos 80 e 90 com harmonias impecáveis e sucessos como “Cheiro de Shampoo” e “Minha Gioconda”.
Um levantamento desenvolvido pela Eureka Comunicação, Laboratório de Inteligência de Mercado e Estudos Estratégicos, mapeou as 15 maiores vozes e duplas vocais de Goiás a partir da análise computacional de gravações. Batizado de Goiás em Duas Vozes, o estudo deixou de lado critérios como popularidade, sucesso comercial e votação do público e utilizou softwares para avaliar características técnicas das interpretações, como afinação, extensão vocal, dinâmica, intensidade e timbre.
O resultado reúne artistas de diferentes gerações, estilos e trajetórias, sendo muitos deles fundamentais para a história do sertanejo, da música regional e da canção popular. A proposta, no entanto, não foi escolher os nomes mais conhecidos ou aqueles que despertam maior identificação no público, mas chegar a uma classificação baseada exclusivamente nos dados extraídos das gravações analisadas.
Aqui está o ranking alinhado do 1º ao 15º lugar, em texto corrido e sem quadro:
1º – Chrystian & Ralf
Conhecidos como “a dupla mais afinada do Brasil”, marcaram os anos 80 e 90 com harmonias impecáveis e sucessos como “Cheiro de Shampoo” e “Minha Gioconda”.
2º – Luiz Augusto & Amauri Garcia
Ícones da música sertaneja de raiz e romântica, fundamentais para a consolidação do estilo no estado de Goiás.
3º – Di Paullo & Paulino
A voz inconfundível de Paulino unida ao talento de Di Paullo consagrou clássicos atemporais como “Amor de Primavera” e “O Brilho da Lua”.
4º – Leandro & Leonardo
Fenômeno absoluto dos anos 90, abriram as portas do mercado nacional para o sertanejo goiano com “Pense em Mim” e tantas outras.
5º – Zezé Di Camargo & Luciano
Donos de uma das trajetórias mais vitoriosas da música brasileira, eternizaram “É O Amor” e revolucionaram o gênero com arranjos grandiosos.
6º – Durval & Davi
Pioneiros e donos de uma longa carreira dedicada ao sertanejo raiz, influenciaram gerações de novos violeiros e cantores.
7º – André & Andrade
Dupla tradicional com forte apelo popular, marcada por modas de viola autênticas e de grande sucesso no interior do país.
8º – Irmãs Freitas
Representantes femininas de destaque na tradição sertaneja goiana, conhecidas por sua sintonia vocal única e resgate da viola caipira.
9º – Felipe & Falcão
Ficaram marcados pelo estilo irreverente, romântico e por grandes composições que embalaram os anos 90 com muita personalidade.
10º – Bruno & Marrone
Referência máxima em romantismo e técnica vocal, emplacaram dezenas de hinos sertanejos como “Dormi na Praça” e “Bijuterie”.
11º – Jorge & Mateus
Líderes da geração do sertanejo universitário, redefiniram o mercado com melodias marcantes e multidões de fãs por todo o Brasil.
12º – Guilherme & Santiago
Trajetória sólida marcada por sucessos animados e românticos, com grande presença nas rádios e palcos de todo o país.
13º – Maiara & Maraisa
Ícones do feminejo, trouxeram força, autenticidade e letras marcantes para a vanguarda da música sertaneja atual.
14º – Camila & Thiago
Talentosos representantes da nova cena goiana, unindo técnica vocal apurada à modernidade do mercado sertanejo.
15º – Day & Lara
Destacam-se não apenas pelas vozes marcantes, mas também pelo talento brilhante na composição de grandes sucessos nacionais.
Tecnologia como critério
O ranking não passou pelo crivo de críticos musicais, jornalistas, especialistas, jurados ou do público. Nenhuma pessoa ficou responsável por ouvir as faixas e decidir, com base em preferência pessoal, quem ocuparia o primeiro, o quinto ou o décimo lugar.
A participação humana ficou concentrada na construção da metodologia, na definição dos critérios, na organização do material e na auditoria das diferentes etapas do processo.
A classificação final foi produzida a partir do cruzamento dos dados obtidos pelas ferramentas computacionais. Os softwares foram programados para identificar e comparar diferentes características presentes nas gravações, entre elas estabilidade e afinação, extensão vocal, dinâmica, consistência, intensidade, distribuição de frequências e comportamento do timbre.
Cada sistema teve uma função específica dentro da análise, permitindo confrontar os resultados e acompanhar a consistência dos dados ao longo do estudo.
Para manter o foco nos aspectos técnicos das gravações, o levantamento não levou em consideração fatores que normalmente pesam em listas desse tipo. Número de seguidores, sucesso comercial, volume de vendas, desempenho nas plataformas digitais e preferências pessoais da equipe, por exemplo, ficaram de fora. O estudo considerou apenas o material sonoro submetido aos programas, seguindo critérios e pesos estabelecidos previamente.
Isso não significa, porém, que o ranking possa ser considerado uma verdade absoluta sobre as maiores vozes da música goiana. A relação que o público estabelece com um artista vai muito além da técnica. Uma voz pode marcar uma geração, uma música pode carregar lembranças de toda uma vida e um intérprete pode ter uma importância cultural que não aparece em uma análise de áudio.
Softwares conseguem reconhecer padrões, medir variações e comparar características que podem ser quantificadas. Eles, no entanto, não sentem emoção, não carregam memória afetiva e não têm a mesma percepção que uma pessoa desenvolve ao ouvir uma música.
Por isso, a Eureka apresenta o Goiás em Duas Vozes como um retrato técnico e experimental, e não como uma classificação definitiva. O resultado está diretamente ligado ao acervo analisado, aos critérios escolhidos e às ferramentas disponíveis no momento da pesquisa. Com outras gravações, novos parâmetros ou tecnologias diferentes, a ordem do ranking poderia sofrer alterações.
A limitação, nesse caso, ajuda a explicar justamente o propósito do projeto: oferecer uma nova perspectiva para um debate que, historicamente, costuma ser guiado pela subjetividade.
A tecnologia não entra para substituir a experiência humana, mas para acrescentar outro ponto de vista. Enquanto os softwares processaram as gravações e identificaram os padrões sonoros, a metodologia organizou os dados e a auditoria acompanhou cada etapa do caminho até o resultado.
O levantamento também evidencia a dimensão do patrimônio vocal de Goiás. A presença de artistas de diferentes épocas e escolas mostra que a identidade musical do estado foi construída por muitas vozes e não se limita a um único estilo ou geração. São intérpretes e duplas que ganharam projeção nacional, mantiveram vivas as raízes regionais e ajudaram a transformar a própria história da música brasileira.
Mais do que encerrar a discussão sobre quem são as maiores vozes de Goiás, o estudo pretende ampliar esse debate. Ao utilizar ferramentas computacionais para analisar um tema tradicionalmente marcado pelo gosto pessoal e pela memória afetiva, a Eureka apresenta uma forma diferente de observar a produção musical do estado.
No fim, a tecnologia oferece um novo ângulo de análise, mas a emoção continua sendo de quem escuta. Afinal, a música pode ser medida em dados, mas o significado que ela ganha para cada pessoa ainda não cabe em nenhum software.
O ranking completo, os critérios utilizados, a metodologia e a apresentação visual do projeto podem ser consultados na PWA Goiás em Duas Vozes, disponível na Revista Bula.



