
Josimar Salum
Este texto brota de um peso, de uma indignação profunda diante do que tem sido feito em nome de Deus. Não se trata de atacar pessoas, mas de expor um sistema — um desvio que, ao longo do tempo, transformou aquilo que é santo em produto, e aquilo que é eterno em mercadoria.
É defender a fé que uma vez foi dada aos santos. A própria essência do Evangelho. É a verdade sobre quem é Jesus e o que Ele fez. É a diferença entre aquilo que vem de Deus e aquilo que foi corrompido pelos interesses humanos.
Este não é um chamado à revolta carnal, mas ao discernimento. Não é uma licença para julgamento superficial, mas um apelo ao arrependimento genuíno. A denúncia só tem sentido se conduzir à verdade
Se em algum momento estas palavras soarem duras, é porque o engano se tornou profundo. E quando o erro se estabelece como normal, a verdade inevitavelmente confronta.
O Evangelho não precisa de ajustes, nem de adaptações para se sustentar. Ele é suficiente em si mesmo. E tudo o que foi acrescentado para torná-lo “viável”, “atrativo” ou “lucrativo” precisa ser exposto à luz.
“De graça recebestes, de graça dai.”
Estou indignado por ver, estarrecido, milhões e milhões de evangélicos e católicos no Brasil sendo bombardeados por esta pregação híbrida de Mamom e “Jesus Cristo”, como se Jesus, o Cristo, pudesse ser misturado com os padrões e valores deste mundo e com o Diabo.
Mamom é Baal. “A rainha dos céus” é “Maria”, que não é a que deu à luz a Jesus de Nazaré, definitivamente não. Todos os devotos de Baal e de “Maria” não têm parte com Jesus Cristo.
Fundam e perpetuam casas de religião, que chamam de igrejas, em todos os rincões do país. Entregam sermões combinados e ensaiados, com metas de arrecadação para cada templo.
Dentro de muitas dessas casas religiosas, atrás de suas cortinas, púlpitos ou batistérios, jazem bordéis do tipo que o profeta Ezequiel viu pelo buraco que Deus o mandou fazer na parede que separava o altar do resto do prédio (Ezequiel capítulo 9).
E Ezequiel viu o que jamais imaginaria ver no lugar considerado o altar de Deus na terra. Não acredita que isso seja possível?
Aguardem. Estão chegando os dias em que o Deus de toda a terra levantará o lençol preto que cobre essa gente hipócrita. Serão revelados, um por um, os iníquos, os filhos da perdição — sim, os anticristos.
Esse lixo não tem nada a ver com a Bíblia, com o Evangelho e com a Igreja do Deus vivo.
Estou indignado com compras e vendas de franchising — igrejas com nomes famosos, propriedade de líderes, donos de marcas e de negócios.
Estou indignado com as vendas de igrejas por pastores de muitas denominações, que vendem à prestação para outros pastores — sem negócios, sem templos, sem rebanhos — ou que, mesmo pastoreando igrejas de baixa renda, buscam aumentar seu faturamento.
Vendem e compram igrejas de porteira fechada: com som, bancos, membros e faturamento garantido.
Pastor ladrão, sem caráter — existe um juízo muito mais rigoroso para ti, miserável, cigano da fé, corretor eclesiástico. Arrepende-te!
Estou indignado com essas práticas inspiradas no centenário Tetzel.
Vendem indulgências, milagres, bênçãos e perdões. Um Catolicismo Romano que não tem ídolos de barro, mas possui ídolos vivos, milionários — desta indústria Gospel, a Hollywood evangélica, a Atenas de filósofos vazios, a Roma dos Neros.
Cantores, cantoras, pastores e pastoras famosos dizem pregar o Evangelho de Cristo — mas isso é pretexto. Nem pretexto! O alvo é quanto vai dar por mês: vendas, faturamento e lucro.
Muitos que dizem seguir a Cristo divorciam-se e casam-se como quem troca de casaco. Não têm vida — apenas discurso de um “evangelho” de conveniências, aprendido como se aprende a encenar uma novela.
Estou indignado com esta avalanche de modismos, com esta indústria perdulária vinda do fundo do inferno para mercantilizar a fé e enganar os indoutos que ainda não conhecem Jesus e Sua Palavra:
“De graça recebestes, de graça dai.”
Meu irmão amado, minha irmã amada: você não precisa pagar nada. Jesus Cristo já pagou tudo com Seu sangue na cruz do Calvário. Está consumado — desde dois mil anos atrás, desde a eternidade.
Saia dela, povo Meu! Saia da Babilônia — este mercado de católicos e evangélicos. Assim diz o Senhor.
Estou indignado com falsos profetas, falsos evangelistas, falsos mestres, falsos pastores e falsos apóstolos: não dão nada, mas cobram tudo fraudulentamente em nome de Deus.
O evangelho deles é uma mistura de fel com mel, de crepe com “crap”, com faturas absurdas cobradas por seus veículos de arrecadação — programas de televisão e plataformas onde se apresentam como os “mais ungidos do planeta”, os perfis de Instagram e os canais do youtube que faturam dia e noite, com cliques em shorts e reels.
São como uísque pirateado: parecem importados dos Estados Unidos e da Europa, mas foram fabricados na China.
Desafiam os incautos a doarem valores “mágicos”: 900 reais, 1.100 reais.
Vosso deus é Mamom. Cegos, pobres e nus. Duplamente enganados.
Nuvens sem água — arrependei-vos!
O Evangelho de Jesus é simples: de gente simples, para gente simples.
O povo — todo o povo — pode comprar, sem dinheiro, vinho e leite; pode beber de graça:
“Vinde às águas que fluem do trono de Deus.”
Jesus não cobra nada, porque nenhum valor pode cobrir o preço do Seu sangue.
Se Ele pagou tudo, por que ainda cobram por bênçãos?
Por que, mercenário, insiste em cobrar por aquilo que Deus já pagou?
O povo que Ele redimiu é Seu rebanho.
Pastores: nenhum de vocês é pastor de ovelhas nem mestre de discípulos — a não ser que sejam suas próprias ovelhas e discípulos. E, se são, não são de Jesus Cristo.
Se são verdadeiros pastores, pastoreiem as ovelhas de Jesus.
Se são verdadeiros mestres, façam discípulos de Jesus e para Jesus.
E haverá um só rebanho e um só Pastor.
Vocês não creem nisso?
Estou indignado com os diálogos de pastores, cantores e bandas em busca de melhores condições de mercado.
Não há problema em exercer profissão: cantor, músico, engenheiro de som, palestrante, motivador. Podem cobrar por seus serviços.
Mas não misturem isso com o Evangelho de Jesus — porque Ele não está à venda. Nunca esteve.
Quando o Evangelho é cobrado, deixa de ser Evangelho.
O que deveria ser a penetração do Evangelho pela música tornou-se uma subcultura lucrativa, comparável a sistemas religiosos que faturam com objetos de devoção.
E há também “santinhos” evangélicos — com seus devotos e fãs.
“Fã” é quem admira uma figura pública.
“Devoto” é quem presta culto, reverência.
Na boca de muitos não há Evangelho — há entretenimento, motivação e autopromoção. Tudo, conferências, para influenciar a sociedade para o Reino. Enquanto isto transforma cada irmão num cliente.
O Evangelho virou pretexto para a corrida pelo dinheiro. A pressão de Mamom obscureceu o pregar por amor a Jesus, custe o que custar.
A piedade tornou-se fonte de lucro — e grande!
Os valores eternos tornaram-se palavras vazias para esconder intenções.
Oração, comunhão com Deus e vida santa já não são necessárias para fazer o que fazem.
E que relacionamento com Jesus há nisso?
Ativismo, carreira, profissionalização da pregação, estruturas, shows cronometrados — até as risadas são ensaiadas.
Que cultos são esses? São espetáculos.
Estou com raiva disso. Não de pessoas — talvez de mim mesmo — mas dessas pregações, desses ensinamentos e desses sistemas.
“Vida fenomenal.”
“Inteligência emocional.”
“Como ser bem-sucedido.”
“Como prosperar.”
Nem 10% fizeram um discípulo para Jesus — mas querem sucesso.
Iniquidade, divisão, egoísmo, adultério, falso evangelho e amor ao dinheiro.
Você diz temer a Deus, mas vive na prática do pecado?
Você vive em promiscuidade, pornografia, engano — e acha que está bem?
Ensina, canta, prega — mas vive em pecado?
Pensa que Deus te aceita por causa da posição?
Está enganado.
E os que apoiam isso prestarão contas.
Você vive religiosamente, mas sem comunhão com Deus?
Então não conhece a Deus.
Como está escrito em I João 3:
“Todo aquele que vive habitualmente no pecado vive na rebeldia…
Todo o que permanece nele não vive pecando…”
Arrependa-se.
O Reino de Deus está aqui.
Você não dá fruto — e o machado já está à raiz.
Deus é amor? Sim.
E é Juiz justo.
Não espere.
Converta-se já.
Você não é crente — você é ímpio.
Deixe o seu caminho.
Volte-se para Deus.
Clame, chore, implore por misericórdia.
As misericórdias de Deus não duram para sempre para todos.



