
O contraste apresentado entre o parlamento sueco e a realidade brasileira vai além de uma simples curiosidade administrativa — ele expõe uma diferença estrutural na forma como o Estado se organiza e se relaciona com a sociedade. Enquanto em alguns países a lógica é de racionalização, eficiência e responsabilidade no uso dos recursos públicos, no Brasil ainda persiste um modelo marcado por excessos, privilégios e distanciamento da realidade do cidadão comum.
A comparação sobre o número de assessores por parlamentar é simbólica. Em vez de estruturas enxutas e compartilhadas, como ocorre em outras democracias, o Brasil mantém gabinetes amplos, com custos elevados que recaem sobre uma população cuja renda média não acompanha esse padrão de gastos. O resultado é um sistema institucional que, proporcionalmente, figura entre os mais caros do mundo — uma distorção que se torna ainda mais evidente quando colocada lado a lado com países que apresentam maior equilíbrio entre custo público e retorno social.
Mas o problema não se limita à dimensão financeira. Há também uma percepção crescente de desigualdade na aplicação da justiça e na responsabilização de diferentes atores sociais. O sentimento de que o rigor da lei não alcança a todos da mesma forma fragiliza a confiança nas instituições. Quando decisões judiciais e condutas de autoridades parecem seguir lógicas distintas para cidadãos comuns e membros de elites políticas ou econômicas, instala-se um ambiente de descrédito que corrói os pilares do Estado de Direito.
Esse cenário reforça uma crítica recorrente: a de que o Estado brasileiro, em muitos aspectos, se tornou maior e mais forte do que a sociedade que deveria servir. Em vez de instrumento de organização e promoção do bem comum, ele passa a ser percebido como um espaço apropriado por grupos que operam com baixa accountability e alta proteção institucional.
Diante disso, a questão central não é apenas o tamanho ou o custo do Estado, mas sua legitimidade. Um país só se fortalece quando suas instituições são vistas como justas, eficientes e acessíveis. Reduzir privilégios, garantir transparência e promover igualdade perante a lei não são apenas medidas administrativas — são condições essenciais para reconstruir a confiança entre o cidadão e o poder público.
O Brasil não carece de recursos ou potencial. O que está em jogo é a capacidade de alinhar suas estruturas institucionais aos princípios de equidade, responsabilidade e respeito ao contribuinte. Sem isso, qualquer comparação internacional continuará revelando não apenas diferenças, mas distâncias profundas que ainda precisam ser enfrentadas.



