
O apoio declarado pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), à pré-candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República em 2026 representa um importante passo para a consolidação da terceira via no cenário político nacional.
Após um período de ressalvas internas no partido, o encontro entre os dois governadores, realizado em 9 de abril de 2026 na sede da Farsul (RS), sinalizou pacificação e reforçou o potencial de crescimento da campanha de Caiado.
Leite, que havia manifestado “desencanto” com a escolha do PSD, pediu desculpas publicamente a Caiado por não tê-lo parabenizado imediatamente após a indicação.
Em postagem no X, o gaúcho afirmou estar “pronto para ajudá-lo no que estiver ao meu alcance para que possamos oferecer uma alternativa viável e real contra a polarização”.
Durante a reunião, Leite entregou uma carta ao colega goiano, destacando convergências em temas como respeito às instituições, responsabilidade fiscal, reformas estruturais e políticas sociais efetivas.
Embora tenha registrado discordância explícita quanto à proposta de anistia ampla aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 — defendendo que eventuais ajustes em penas sejam discutidos via dosimetria no Congresso, sem interromper o diálogo com a sociedade —, Leite enfatizou que a política se constrói sobre “convergências entre diferentes”.
Ele ressaltou ainda que Caiado “tem todas as condições para governar o país”, um aval que pode atrair setores moderados e ampliar a base de apoio ao pré-candidato.
Para Caiado, o gesto de Leite chega em momento estratégico. As pesquisas recentes mostram que ele ainda parte de patamares modestos (entre 4% e 6,5% das intenções de voto no primeiro turno, conforme levantamentos como Quaest e Meio/Ideia), mas com espaço para crescimento ao herdar parte do eleitorado que antes via Ratinho Júnior como opção.
A aprovação de sua gestão em Goiás segue elevada (acima de 80% em algumas sondagens), o que fortalece sua imagem de gestor experiente e de centro-direita.
O apoio de Leite, mesmo condicionado a gestos concretos de alinhamento em pautas de governabilidade e integridade, ajuda a reduzir ruídos internos no PSD e projeta Caiado como nome capaz de dialogar com diferentes alas do partido.
Analistas veem nessa reaproximação um sinal de que a candidatura pode ganhar tração ao longo dos próximos meses, especialmente se conseguir ampliar o reconhecimento nacional e apresentar uma agenda que fuja da polarização Lula × Bolsonaro.
Com o tempo de televisão, estrutura partidária e agora o respaldo público de uma liderança como Eduardo Leite, a candidatura de Ronaldo Caiado demonstra potencial de expansão.
Esse movimento reforça o debate sobre a viabilidade de uma alternativa centrada em experiência de gestão, diálogo institucional e reformas, em um ano eleitoral que ainda promete muitas articulações.



