
O mercado financeiro não costuma distribuir recursos sem esperar um retorno claro e garantido. Por isso, nomes como Ratinho Sênior, ACM Neto, Michel Temer e Marconi Perillo devem explicações à sociedade.
Marconi Perillo, ex-governador de Goiás, atuou como consultor do Banco Master e recebeu R$ 14,5 milhões do banco controlado por Daniel Vorcaro.
Embora Perillo tenha larga experiência em política e gestão pública, não é considerado especialista em mercado financeiro — área de atuação principal do Banco Master, uma instituição complexa e sofisticada que exige conhecimento técnico de alto nível.
Diante disso, o ex-governador tem pelo menos duas perguntas centrais a responder perante a opinião pública, os goianos e a CPI do Crime Organizado:
Por que Marconi Perillo não se manifestou espontaneamente sobre o recebimento dos R$ 14,5 milhões do Banco Master e só foi citado após a divulgação dos dados pela CPI do Crime Organizado e pelo jornal Folha de S.Paulo? Ele imaginava que o assunto não viria à tona?
Qual foi exatamente o tipo de consultoria prestada ao Banco Master? É necessário que o ex-governador detalhe os serviços realizados. Vale lembrar que, à época do contrato, Marconi Perillo ocupava o cargo de presidente nacional do PSDB.
No ambiente das finanças e da política, é incomum que alguém receba R$ 14,5 milhões — valor equivalente a uma Mega-Sena acumulada — por uma consultoria genérica. Há fortes indícios de que Daniel Vorcaro utilizava o Banco Master para fazer pagamentos a políticos com o objetivo de obter facilidades ou lobby junto aos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. No Brasil, o termo “consultoria” muitas vezes é usado como eufemismo para esse tipo de articulação.
Independentemente da explicação que venha a ser apresentada, o fato é que Marconi Perillo acabou associando o nome do Banco Master e de Daniel Vorcaro à sua pré-candidatura ao governo de Goiás em 2026, o que pode elevar ainda mais sua rejeição junto ao eleitorado.
Assim como Perillo, outros nomes citados como “consultores” do Banco Master — entre eles Henrique Meirelles (o único com notória experiência no mercado financeiro), Ratinho Sênior, Michel Temer e ACM Neto — também devem esclarecimentos à sociedade.
Cabe ainda à Justiça investigar se parte desses recursos já estava sendo destinada ao financiamento de pré-campanhas eleitorais.



