Reeleição fará o Brasil de 2080 ser a Coreia da 2ª Guerra

Demóstenes Torres

Nesta semana, os americanos voltaram à Lua.

Passou a ser tão rotineiro para eles que ficaram um tempo sem ir e agora, que foram, sequer se deram ao trabalho de apear. Enquanto isso, caímos do cavalo achando que morávamos no país do futuro e, como em 1969 quando Neil Armstrong deu o salto gigantesco para a humanidade, continuamos aqui de cara pra cima nos contentando com qualquer nesga de luz que escape da poluição. E aquele dragão visível a olho nu não é o rival de São Jorge, mas o chinês, único a competir com a águia americana.

Nosso canarinho, coitado, teve voo de pato e ciscou para cima igual a galinha do rabo torto.
Foi a alternativa escolhida pelo Brasil, crescer para baixo como cauda de equino, e piorou com o instituto da reeleição, novo por aqui, tem nem 30 anos, e já viciou a classe política. Para renovar o mandato, o governante sujeita o Estado a tudo, nada que se aproveite ao desenvolvimento. Há duas exceções. Os presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro mostraram coragem nas reformas trabalhistas, porém antes e depois deles ninguém mexeu em qualquer das muitas que precisam ser higienizadas. A tributária? A única solução, resultante de solavanco, foi isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, desconto até R$ 7.350,00. Porém, sem vínculo com desoneração, apenas mais uma medida demagógica para melhorar a popularidade do dirigente.

Achando que perdem voto, Executivo e Legislativo nada decidem. O presidente apoia o Irã no fechamento de Ormuz e, quando chega a consequência na alta do barril, força as unidades federativas no subsídio ao óleo cuja passagem no estreito é impedida pelos companheiros aiatolás. O Gás do Povo, medida eleitoreira recente, acende a chama sob a panela com cada vez menos alimento, pois a carestia, o consignado, o atraso do cartão de crédito e a parlapatice de escorar nos cofres públicos mascaram a incompetência, a má gestão, os desvios.
A opção preferencial pela demagogia anula fatores favoráveis como as condições climáticas, a terra fértil e lotada de minerais, a vocação empreendedora, a água doce farta e a ausência de terremoto. Na viagem em que pisaram no solo lunar, Armstrong e Buzz Aldrin viram a Grande Muralha de um gigante adormecido, a China, e o PIB de Argentina, Venezuela e Brasil. Desde então, o gigante acordou e o trio elétrico da América do Sul patina numa carroça com megafone à mão, ganindo atrás de oportunidades perdidas com esquerda no poder.

Em 1960, alvorada da década em que se conquistou o satélite da Terra, o Produto Interno Bruto do Brasil era de 17 bilhões de dólares, 8 vezes e meia o da Coreia do Sul, que nem chegava a 2 bilhões e, per capita, morava abaixo de 80 dólares. Para este ano, os dois vão empatar com PIB de 2 trilhões de dólares. No período, ambos tiveram regimes militares, milagres econômicos e presidentes cassados – ela, 3; nós, 2. Por que o rincão asiático tirou a diferença superior a 850%? Numa frase: educação baseada em mérito, pesquisa e esforço, não em ideologia. Simples assim. Pode discorrer num tomo de 2 mil páginas que o resultado será o mesmo.

O abismo aumenta quando se individualiza a situação. Este jornal eletrônico publicou em fevereiro passado, quando o presidente Lula (PT) visitou a Coreia pela 3ª vez, a diferença para a 1ª, em 2005, no PIB per capita em 20 anos. Na excursão anterior, o deles era de 19.398 dólares; o nosso, 7.742. Em 2025, 37.520 a 11.800. Duas décadas depois, o fosso dobrou de 2 para 4 vezes maior. E quando a dupla americana saltitou na Lua? O PIB per capita da Coreia era 250% menor que o do Brasil. E em 2080? Torçamos para que Norte e Sul estejam reunificadas, como as Alemanhas, e que o Brasil tenha se divorciado do parasitismo.
Aqui não faltam recursos, o entrave se concentra no conteúdo e na doutrinação. Todavia, a Coreia investe 7,6% do PIB em Educação; o Brasil, 5% – eles atendendo a 4 vezes menos estudantes que aqui. Nem venham falar em sofrimento de antepassados porque os coreanos padeceram até há pouco. Sobreviveram sob o jugo japonês de 1910 a 1945, viram seu chão se dividir e mesmo assim se tornar uma potência. A área agricultável do Brasil é de 66 milhões de hectares, segundo a Embrapa; a da Coreia, 1 milhão e 700 mil hectares. Desse terreno exíguo vem a humilhação: em 2025, ela exportou 710 bilhões de dólares; o Brasil, 348 bilhões. Sua área total é de 100 mil km², 85 vezes menor que nossa pátria mãe gentil.
Um horror a comparação com a Coreia, encontrável em diversas outras nações que trilharam caminho diverso do tupiniquim. Quando um presidente brasileiro voltar a Seul ou a Humanidade deixar pegadas em Marte (tem cada vez menos humanidade na Terra), vai ser possível cantar alguma vitória. Isso ocorrerá caso saiam das urnas no próximo outubro eleitos comprometidos com a mudança nos currículos do ensino fundamental ao superior, que prefiram investir em ciência a pagar juros (inclusive os da dívida pública), que triturem a tributação do setor produtivo e se lembrem da estrutura viária (portos, aeroportos, energia, ferrovias, rodovias), que combatam as máfias com o rigor utilizado por elas nos “tribunais do crime”, que sacrifiquem a reeleição em prol de um país decente.
Essas pessoas existem. E no Brasil. Não é necessário trazê-las da Coreia e muito menos da Lua.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

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