Toffoli salva investigação do Master, oposto de Moro na Lava Jato

Demóstenes Torres
 
 A Operação Lava Jato apurou aquele que é considerado o maior escândalo de roubalheira do mundo em todos os tempos. E, para frustração geral do País lesado, deu em nada. Foi anulada por culpa da vaidade extrema do então juiz Sergio Moro, que atropelou o foro por prerrogativa de função. O homem que tem tristeza nas pernas passadas no público fez a alegria dos criminosos, até de quem devolveu bilhões e agora quer de volta o butim.

As falhas personalistas de Moro e seus subordinados do Ministério Público Federal passaram em branco para parte da mídia, que prefere atormentar a família do ministro que evitou as futuras alegações de nulidades.

Esse perigo não correm as vítimas de trapaças do Banco Master, cujo rombo está entre R$ 40 e 50 bilhões e contando. Ao avocar o processo para o Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli salvou a investigação.

Toffoli se submeteu a enfrentar a turba para resguardar o interesse público. Comparando-se com a Lava-Jato, a Operação Compliance Zero vai terminar em cadeia para os bandidos porque o ministro puxou o caso para o Supremo. O motivo é legítimo. Ao aparecer indício da participação de um deputado federal, João Carlos Bacelar, do PL baiano, teria de subir imediatamente para o STF, o lugar apropriado para julgar congressistas. Se Toffoli não tivesse agido, o tudo daria em nada, como ocorreu em Curitiba. Ali, Moro segurou tudo, auxiliado por seus procuradores amestrados, prendia e arrebentava. Em consequência, estão todos soltos, alguns querendo indenização. Açodamento assim, que viola a Constituição e as leis, agrada inicialmente, mas depois a plateia chora, pois fofoca não é crime, não deveria gerar investigação.

Foi o que Toffoli evitou ao avocar o caso, inclusive com sigilo, para não ter fins trágicos.

À frente, se a apuração nada encontrar, o processo retorna para a 1ª instância, o deputado fica com a inocência firmada e os culpados vão em cana. Já o contrário não ocorreria: a opção preferencial pelos holofotes renderia manchetes e o banqueiro Daniel Vorcaro teria passado o Natal na cadeia, só que seria o único — nunca mais veria o Sol apenas durante duas horas. Moro tripudiou nos jornais, principalmente nos eletrônicos, e os apenados riram por último.

Na sanha implacável para detonar o ministro que tolheu suas campanhas de difamação, jornalistas ficam admirados com o modo de vida dos irmãos de Toffoli, gente simples como o dos demais moradores do interior, seja do Paraná, Minas, São Paulo ou Goiás.

“Nóis é jeca, mais é juridicamente joia. Vamos ao vizinho pedir açúcar emprestado para o bolo do desjejum e retribuímos com um pedaço da guloseima. É um pessoal que, mesmo sendo muito rico, não ostenta. Tem 500 alqueires de soja e não paga R$ 500 numa garrafa de vinho.

Somos como a música de Roberto e Erasmo Carlos: “Sonhei que entrei no quintal do vizinho/ E plantei uma flor/ No dia seguinte ele estava sorrindo/ Dizendo que a primavera chegou/ E quando eu abri a janela/ Estava um dia tão lindo/ No outro quintal o vizinho sorrindo”.

Esa canção me remete à viagem que fiz a Cuba, ainda nos tempos de Fidel Castro vivo (1926/2016). Na rua lateral de um museuzinho em Havana, perto dos prédios principais, conversei com vendedores de CDs e DVDs, todos funcionários do Estado. Como havia muita coisa do Brasil, perguntei de qual dos nossos cantores eles mais gostavam. Unanimidade: Chico Buarque. Que música dele vocês preferem? Ninguém soube citar uma sequer. Rimos bastante e, já descontraídos, falaram a verdade: o ídolo é Roberto Carlos, puxaram diversos clássicos do rei, cantei junto. Chico era o preferido do regime. Assim funcionam as ditaduras, espalhando o terror, nem artista o público tem o direito de escolher, responde o que o tirano manda.

Lembrei-me desse episódio ao acompanhar a evidente manipulação da imprensa “livre” em favor do governo federal, tão anacrônico para distribuir mídia que destinou a apenas uma TV aberta 49,4% do quase bilhão que torrou.
Como principal cliente, Lula deixa vazar de mentirinha uma mentira de verdade. O presidente contou a jornalistas amigos (do alheio) que gostaria de manietar Toffoli e não fica contente com menos que a submissão absoluta, querendo transformar um tapete voador num capacho.

Deveria ser um escândalo o chefe do Executivo posar de dono do Judiciário. A mídia encara como normal porque o maior pauteiro do Brasil é o editor Luiz Inácio Lula da Silva, que manda e, sobretudo, desmanda na opinião que financia com verba pública.
Lula disse à imprensa oficial que vai “chamar” o ministro ao Palácio para que explique “sua conduta no inquérito”. Pronto!, inaugurou a função de corregedor do Supremo. É o chamado “jurista beiço de porco”, chafurda na lama da ignorância e quer saber de Direito como um Lenio Streck da pocilga.
Antes que as famílias beneficiadas acendessem a 1ª chama, o Gás do Povo já havia consumido R$ 30 milhões em publicidade, verba suficiente para encher 300 mil botijões. Assim, o sujeito curte Roberto e responde Chico sem pensar (e sem ouvi-lo).
As agências do ministro da Publicidade vão atender dos dois lados do balcão, ele mesmo destinando as verbas do partido e seus sócios as gastando. Quando esse absurdo for investigado, torçamos para que algum corajoso não incida em nulidade e os culpados paguem pelos delitos. Plante flor em vez de impunidade no quintal do vizinho.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

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