Quando o silêncio é sabedoria: o perigo Bíblico de falar da vida dos outros

BOM DIA!

Josimar Salum

A Bíblia trata o hábito de comentar a vida dos outros como algo profundamente sério e espiritualmente danoso. Não se trata de um detalhe comportamental, mas de uma questão que revela o estado do coração diante de Deus. Jesus foi direto ao afirmar que “a boca fala do que está cheio o coração”. Isso significa que a necessidade constante de falar, comentar, julgar ou expor a vida alheia não nasce do acaso, mas de um interior desgovernado — muitas vezes marcado por comparação, orgulho, insegurança e ausência de temor diante de Deus.

As Escrituras deixam claro que falar em excesso nunca é sinal de sabedoria. Pelo contrário, afirmam que na multidão de palavras não falta transgressão. Quanto mais alguém abre os lábios, maior é o risco de exagerar, distorcer fatos, emitir juízos precipitados e cometer pecados que, que diante de Deus têm peso espiritual. A Bíblia apresenta o domínio da língua como evidência de maturidade espiritual.

O prejuízo maior recai, muitas vezes, sobre o próprio coração de quem fala. A língua não é apenas um instrumento de comunicação; ela molda o interior. Tiago afirma que a língua pode contaminar todo o corpo, ou seja, aquilo que se permite falar acaba formando a maneira de pensar, sentir e julgar. Quando alguém se acostuma a comentar a vida dos outros, o coração se endurece, a sensibilidade espiritual diminui e o juízo se torna automático. A pessoa passa a observar o próximo não com misericórdia, mas com crítica.

Além disso, o dano se estende inevitavelmente aos relacionamentos. A Bíblia afirma que o mexeriqueiro separa os maiores amigos e que, sem o maldizente, a contenda cessa. Muitos vínculos não são destruídos por grandes traições, mas por palavras lançadas sem responsabilidade, por comentários repetidos, por insinuações que corroem a confiança aos poucos. Onde a língua não é governada, a comunhão se torna frágil.

Há ainda o risco sério do falso testemunho. Mesmo quando não há intenção deliberada de mentir, falar da vida alheia frequentemente envolve ouvir apenas uma versão, interpretar motivações, acrescentar emoções aos fatos ou transmitir suposições como se fossem verdades.

A Bíblia não limita o falso testemunho à mentira explícita, mas a qualquer palavra que distorça a verdade sobre o próximo. Por isso, muitos pecados de língua são cometidos sob a aparência de sinceridade.

Diante disso, as Escrituras exaltam o silêncio como sinal de sabedoria e temor. O silêncio bíblico expressa discernimento. Há tempo de falar e há tempo de calar, e saber reconhecer esse tempo é parte da maturidade. A Palavra chega a afirmar que até o tolo, quando se cala, é considerado sábio, mostrando que nem tudo o que se sabe deve ser dito, nem tudo o que se percebe deve ser comentado.

O princípio que governa o falar do filho de Deus é simples e objetivo: nenhuma palavra deve sair da boca se não for para edificação. Quando não há algo bom, verdadeiro e necessário a dizer, é obediência ficar de boca fechada.

A Bíblia não chama o filho de Deus apenas à vigilância sobre suas ações, mas também sobre suas palavras, porque a língua pode tanto preservar a alma quanto destruí-la. Calar-se, quando não há bem a ser comunicado, é uma forma prática de guardar o coração, honrar o próximo e andar no temor do Senhor.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

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