
Governador diz que sofreu pressão de prefeitos, deputados e donos de faculdades para deixar que campus fossem abertos sem condições
“São Bets travestidas de faculdades”. Assim o governador e médico Ronaldo Caiado iniciou sua crítica ao resultado do Enamed. O exame reprovou 107 faculdades de medicina. Para Caiado, esses números escancaram um estelionato educacional. Segundo ele, a formação médica, portanto, virou um jogo de azar que aposta com a vida dos pacientes. O governador diz que essa “indústria do diploma” ignora a ética e visa apenas o lucro. Ele diz que a indústria das Bets da medicina movimenta bilhões com blindagem política.
Caiado destacou a postura rigorosa de sua gestão em Goiás. “Em meus sete anos de governo, não permiti a criação de nenhuma faculdade de medicina”, afirmou. Ele relatou ter sofrido forte pressão de prefeitos, deputados e empresários do setor. “Contudo, resisti”, disse. Ele define a expansão desenfreada como um “mercantilismo de faculdade”. Nesse cenário, interesses políticos atropelam critérios técnicos e comprometem a segurança da saúde pública.
O governador relembrou também sua batalha legislativa no Senado. Ele foi o relator do Projeto de Lei nº 165/2017. A proposta criava um exame obrigatório de proficiência. Entretanto, o projeto caiu. “Fui duramente atacado e derrotado”, disse ele. O motivo, segundo Caiado, é o dinheiro. Esse mercado movimenta bilhões e possui forte blindagem política. É um sistema populista que prolifera a incompetência e forma “doutores” sem proficiência.
Além disso, Caiado apontou o drama financeiro das famílias. Muitos pais pagam mensalidades de quase 20 mil reais e sacrificam o patrimônio. Infelizmente, descobrem depois que o filho não recebeu a formação adequada. O reflexo disso aparece no dia a dia dos hospitais. “Hoje há profissionais que pedem sucessivos exames pois são incapazes de chegar a um diagnóstico”, alertou. Eles pedem exames apenas para ganhar tempo. “São pessoas analfabetas em termos médicos”.
Por fim, o governador defende soluções drásticas. O sistema atual, por ser populista, evita enfrentar o problema. Para ele, as faculdades deveriam provar sua qualidade antes mesmo de abrir matrículas. Diante da reprovação em massa, sua sentença é direta: “Essas 107 faculdades devem fechar imediatamente”. Caiado sugere transferir os alunos para instituições com nota superior a 3. Sem esse rigor, a medicina brasileira caminha para um colapso irreversível.
Caiado alerta ainda para o uso indevido de verba pública. Segundo ele, essas instituições usurpam bilhões de programas essenciais como Fies e ProUni. Elas capturam recursos do contribuinte para financiar um ensino precário. Além disso, vendem falsas promessas e iludem milhares de famílias que buscam ascensão social. O Estado, portanto, patrocina a própria ineficiência enquanto empresários lucram com a esperança dos estudantes.


