
Hoje chegou até mim uma daquelas mensagens que param o dia, apertam o peito e nos fazem viajar — sem sair do lugar — direto para a infância.
Li e reli o texto que circula forte nas redes, de um perfil que sabe falar com a alma da gente. E não resisti: ele precisava estar aqui, na nossa coluna, porque fala exatamente do que muitos de nós carregamos em silêncio.
Quando a casa dos avós se fecha, não é só uma porta que se encerra. É um ciclo inteiro da vida que se despede em silêncio.
Ali ficaram as cadeiras extras, porque nunca se sabia quem chegaria. O café sempre pronto — ou alguém disposto a fazê-lo. A comida simples que alimentava mais a alma do que o corpo. Os conselhos do avô, as canções da avó, o dinheiro escondido na mão como se fosse um segredo cúmplice de amor.
Quantos de nós não se reconhecem nessas palavras? Eu mesmo me vi menino correndo pelo quintal, sentindo o cheiro de bolo saindo do forno, ouvindo as histórias que só os avós contam, aquelas que misturam verdade com um pouco de fantasia para nos proteger do mundo.
A casa dos avós era o lugar onde ninguém precisava avisar que vinha. Onde primos viravam irmãos. Onde o mundo parecia menor, mais humano, mais seguro.
E quando essa porta se fecha para sempre — seja pela partida deles, pela venda do imóvel ou pelo simples passar dos anos —, a gente entende tarde demais: não era a casa que nos reunia. Eram eles.
O que dói não é o fim do espaço… é a saudade de um tempo em que tudo parecia eterno.
Se essas linhas tocaram você, é porque também já sentiu isso. E sabe o que consola? Algumas memórias nunca vão embora. Elas ficam guardadas no coração, como um café quentinho que a gente pode “tomar” a qualquer hora, bastando fechar os olhos.
Hoje, se você puder, mande um recado para quem ainda tem os avós por perto. Diga que ama, abrace, ouça mais uma história. E se, como eu, já não os tem fisicamente, feche os olhos por um instante e agradeça por tudo que eles deixaram em você.
A vida passa, as portas se fecham, mas o amor que recebemos na infância… esse, sim, permanece de portas abertas para sempre.
Com carinho e muita saudade compartilhada,
Alan Ribeiro
Seu melhor amigo


