
Blog do Alan Ribeiro · Economia · 7 de novembro de 2026
A melhora nas vendas observada pelo Assaí em outubro também apareceu em outros estabelecimentos. Entre 5 e 25 de outubro, a NielsenIQ identificou melhora no ritmo de vendas em 84,3% dos atacarejos comparáveis e em 56,9% das lojas comparáveis dos demais canais pesquisados. Entre os atacarejos da amostra, 71,4% registraram aumento de faturamento. O painel reuniu 16.353 estabelecimentos de diferentes formatos. A retirada das plataformas de apostas do ar começou em 6 de outubro.
Onde o faturamento e as compras cresceram
Na semana de 19 a 25 de outubro, os atacarejos venderam mais em reais e em quantidade de produtos. Nos demais formatos do varejo alimentar, o faturamento cresceu, enquanto o número de itens vendidos ficou praticamente estável. A comparação é com a semana equivalente de 2025.
| Canal | Faturamento | Unidades vendidas |
| Atacarejos | +7,8% | +2,4% |
| Outros formatos do varejo alimentar | +4,8% | −0,1% |
| Farmácias | +7,2% | +3,5% |
Supermercados de Goiás relatam melhora mais moderada
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) registrou alta nacional de 6,5% no varejo alimentar entre 5 e 11 de outubro e de 6,3% entre 12 e 18 de outubro, frente às mesmas semanas de 2025. No Centro-Oeste, os avanços foram de 3,6% e 3,5%, respectivamente. A Abras associa parte do movimento ao bloqueio das apostas e aponta maior procura por itens básicos, como arroz, óleo, macarrão e café.
Em Goiás, o presidente da Associação Goiana de Supermercados, Sirlei Couto, relatou que já percebia melhora nas lojas do estado, em ritmo inferior ao observado no país. Segundo ele, será preciso acompanhar as vendas por mais tempo para dimensionar o movimento no comércio goiano.
O que divulgaram Assaí, Atacadão e outras redes
O Assaí informou que as vendas nas mesmas lojas cresceram 3,9% em outubro, ante outubro de 2025. O presidente da rede, Belmiro Gomes, relatou aumento no fluxo de clientes e no valor médio das compras, sobretudo em lojas frequentadas por famílias de baixa renda. Mercearias abastecidas pelo atacadista também compraram mais, segundo ele. Sobre dezembro, Gomes afirmou que, se a proibição for mantida, “provavelmente as famílias terão um Natal mais forte, mais gordo esse ano”.
Os balanços de julho a setembro, período anterior à retirada das plataformas do ar, mostram resultados diferentes entre as bandeiras. Nas lojas comparáveis, o Atacadão cresceu 2% e o Sam’s Club, 3,6%. O Pão de Açúcar recuou 0,7% e o Extra Mercado, 1,9%. O Grupo Mateus, citado pelo BTG Pactual como possível beneficiário de uma recuperação do setor, tinha divulgação do balanço marcada para 12 de novembro.
Quanto da alta pode ser atribuído ao bloqueio?
O varejo alimentar já registrava semanas de crescimento antes da medida. De 14 a 20 de setembro, as vendas em reais subiram 7,9% frente à semana equivalente de 2025. Em outubro, o Assaí também realizou sua campanha de aniversário, e a prévia da inflação apontou alta de 1,01% nos alimentos comprados para consumo em casa. Outro fator é o reajuste do Bolsa Família, cujos pagamentos começaram em 19 de outubro, depois das duas semanas analisadas pela Abras, mas ainda dentro do mês medido pelo Assaí.
Para saber quanto do dinheiro antes destinado às apostas passou a ser gasto com alimentação, seria preciso acompanhar o orçamento das mesmas famílias antes e depois do bloqueio e separar o efeito de preços, promoções e renda. Enquanto isso, a medida provisória que proibiu as apostas de quota fixa segue em tramitação no Congresso e é contestada no Supremo Tribunal Federal.




