
Durante décadas, uma explicação aparentemente perfeita circulou entre moradores e turistas de Caldas Novas: a água brotava quente porque, debaixo da Serra de Caldas, existiria um antigo vulcão adormecido ou extinto. A forma da serra, vista à distância, ajudou a alimentar a história. A lenda tornou-se tão conhecida que o próprio plano de manejo do Parque Estadual da Serra de Caldas Novas registra oficialmente a existência desse mito — e a necessidade de desfazê-lo.
A Serra de Caldas não é uma cratera vulcânica. Sua formação está relacionada a movimentos tectônicos ocorridos há centenas de milhões de anos, que arquearam e fraturaram as rochas. A própria geologia brasileira chegou, no passado, a considerar a hipótese de atividade vulcânica por causa do formato da serra, mas estudos posteriores passaram a explicar o fenômeno pelo gradiente geotérmico.
Há registros das águas quentes da região desde o período colonial. O mecanismo começa com algo muito mais simples: a chuva. A água infiltra-se pelas fraturas das rochas da Serra de Caldas e alcança grandes profundidades. À medida que desce, encontra temperaturas naturalmente mais elevadas no interior da Terra. Aquecida, volta à superfície através das fraturas e diferenças de pressão, alimentando as fontes termais de Caldas Novas e Rio Quente. A serra funciona, portanto, como uma gigantesca área de recarga do sistema hidrotermal.




