
Li uma frase que ficou comigo: “A presença é um presente que não custa dinheiro, mas talvez seja o mais caro de todos”. Guardei essas palavras como quem guarda algo precioso. Elas me fizeram pensar nas pessoas que encontram um espaço no dia para perguntar como estamos e têm paciência para ouvir a resposta.
Estar presente exige tempo, atenção e carinho. Exige interromper uma tarefa, deixar o celular de lado por alguns minutos e acolher o que o outro tem para dizer. Em uma rotina cheia de compromissos, oferecer esse cuidado representa uma escolha: dedicar uma parte da própria vida a alguém.
Há dias em que uma conversa faz muita falta. A pessoa segue trabalhando, cuida da casa, responde às mensagens e cumpre suas obrigações, enquanto carrega uma preocupação que quase ninguém percebe. Quando alguém se aproxima com interesse e delicadeza, ela encontra a oportunidade de respirar, falar e dividir um pouco daquele peso.
Por isso, precisamos valorizar quem se lembra de nós. Quem pergunta pelo resultado de um exame, deseja saber se chegamos bem, aparece para tomar um café ou telefona depois de perceber nosso silêncio. São gestos simples, mas carregam uma atenção que faz diferença na vida de quem os recebe.
Também penso na presença durante os dias difíceis. Nem sempre sabemos o que dizer diante da dor de alguém. Procuramos uma palavra bonita, uma explicação, um conselho que resolva tudo. Às vezes, podemos começar sentando ao lado, ouvindo com respeito e oferecendo a ajuda que estiver ao nosso alcance. O carinho também se comunica assim.
A distância pede outras formas de cuidado. Uma ligação feita com calma, uma mensagem atenciosa ou alguns minutos de conversa podem aproximar quem está longe. Cada pessoa tem suas possibilidades e limitações. Dentro delas, sempre que pudermos, vale procurar uma maneira de cultivar os vínculos que nos fazem bem.
Na caminhada da fé, aprendo que servir também passa por essa disposição de enxergar o próximo. Peço a Deus sensibilidade para perceber quando alguém precisa ser ouvido e sabedoria para acolher sem julgar. Muitas vezes, uma pessoa encontra forças para continuar depois de sentir que sua vida merece atenção.
Essa reflexão também me faz olhar para minhas próprias escolhas. Tenho dedicado tempo às pessoas que amo? Tenho ouvido com paciência? Tenho demonstrado minha gratidão por quem permanece por perto? São perguntas que merecem acompanhar nossos dias, porque as relações precisam de cuidado para continuar florescendo.
Que a gente encontre tempo para visitar, telefonar, abraçar e conversar. Que consiga dizer, por meio das atitudes: “Você é importante para mim”.
A presença oferecida com amor encontra um lugar na memória. O tempo passa, os detalhes se apagam, mas o coração costuma guardar quem esteve ali.
Firme na missão.
Alan Ribeiro, o amigo do povo.




