Operação Destroyer bloqueia R$ 500 milhões e soma mais de 400 prisões em Goiás

19ª fase da operação cumpre mandados em sete cidades goianas e mira organização criminosa que coordenava o tráfico por WhatsApp; líder do grupo está no Rio de Janeiro

A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta quarta-feira, 28, a 19ª fase da Operação Destroyer, com o objetivo de desarticular organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas no Estado. Ao longo das 19 etapas, a operação resultou no cumprimento de mais de mil ordens judiciais, em mais de 400 prisões e no bloqueio de aproximadamente R$ 500 milhões em bens e valores.

Segundo o guardião-geral da Polícia Civil de Goiás, André Ganga, a Destroyer é a maior ofensiva da corporação contra o crime organizado. A estratégia busca atingir a estrutura financeira das facções e impedir a atuação de seus integrantes nos 246 municípios goianos.

“São investidas aqui que estamos trazendo para o sufocamento financeiro dessas organizações”, afirmou Ganga. Segundo ele, as ações devem continuar até o fim do ano.

A fase deflagrada nesta quarta-feira tem como foco uma organização criminosa que atuava em Trindade e em outros municípios goianos. O grupo utilizava um aplicativo de mensagens para coordenar a venda de entorpecentes, esconder drogas diante de movimentações policiais e monitorar a atuação das forças de segurança.

De acordo com o delegado Tiago Escandalheiro Martinho, responsável pelo Grupo Especial de Repressão a Narcóticos (Genarc) de Trindade, foram expedidos 36 mandados de prisão temporária e 35 de busca e apreensão. Até o momento da entrevista, 26 prisões haviam sido cumpridas, e as equipes continuavam nas ruas em busca dos demais investigados.

Grupo era coordenado por líder no Rio de Janeiro

As investigações apontaram que a organização era comandada por um homem de Goiás que está no Rio de Janeiro. De acordo com o delegado, ele coordenava as atividades dos integrantes à distância e determinava a suspensão das atividades e o esconderijo dos entorpecentes quando havia suspeita de movimentação policial.

“Se eles desconfiassem de qualquer movimentação atípica, seja da Polícia Civil, seja da Polícia Militar, havia a ordem do líder, que está foragido no Rio de Janeiro, para suspender e esconder os entorpecentes”, explicou o delegado.

A Polícia Civil ainda pretende localizar e prender o suspeito. Segundo Escandalheiro, a prioridade inicial foi deflagrar a operação e reunir provas sobre a atuação dos demais integrantes. A partir da análise do material apreendido, a investigação poderá avançar para novas etapas.

Os mandados desta fase foram cumpridos em Trindade, Goiânia, Aparecida de Goiânia, Rialma, Faina, Goianira e São Luís de Montes Belos. A maior concentração de alvos está em Trindade, onde o Genarc iniciou as investigações, mas o delegado ressaltou que o grupo também mantinha atividades em outros municípios.

Investigação começou nas redes sociais

A apuração teve início no começo do ano, quando os policiais identificaram perfis no Instagram utilizados para comercializar drogas por meio de códigos e simbologias. A primeira fase resultou na prisão temporária de dez pessoas que vendiam entorpecentes pela plataforma.

Na segunda etapa, os investigadores avançaram sobre os fornecedores que abasteciam esses vendedores. A análise de dados obtidos durante a investigação permitiu identificar uma nova organização criminosa, com integrantes em diferentes cidades e um líder que coordenava as atividades por meio de um grupo no WhatsApp.

Segundo o delegado, a estrutura era organizada para dificultar a identificação dos envolvidos e impedir que a polícia descobrisse a movimentação do tráfico.

“Eles tinham um comportamento muito arquitetado para esconder o trabalho deles. Tivemos muita dificuldade de identificá-los”, afirmou.

O grupo também utilizava os stories do Instagram para divulgar os entorpecentes de maneira codificada e atrair compradores. Conforme o delegado, os perfis alcançavam um público superior a 15 mil pessoas, incluindo menores de idade.

As duas primeiras fases da investigação já se tornaram processos judiciais. A terceira etapa, deflagrada nesta quarta-feira, busca atingir integrantes de uma estrutura que, segundo a Polícia Civil, tentava controlar não apenas a distribuição de drogas, mas também as informações sobre a presença policial.

Presos e materiais apreendidos

Os investigados presos nesta fase são apontados como traficantes. Conforme Escandalheiro, parte deles não tinha antecedentes criminais, diferentemente do que foi observado nas etapas anteriores.

Durante a operação, os policiais apreenderam entorpecentes, incluindo maconha e cocaína, dinheiro e celulares. Os aparelhos serão analisados para subsidiar a continuidade das investigações e identificar possíveis novos envolvidos.

Para André Ganga, a retirada dos traficantes de circulação contribui para a segurança da população, uma vez que o comércio de drogas também pode alimentar outros crimes.

“Isso traz uma tranquilidade, traz uma paz à sociedade goiana”, declarou o guardião-geral da Polícia Civil.

A corporação não descarta novos desdobramentos. Segundo o delegado responsável pela investigação, a análise das provas reunidas nesta fase poderá indicar outros alvos e orientar os próximos passos da operação.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

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