
Terceira semana de setembro chama atenção para a rotina de mulheres que cuidam de filhos com deficiência ou neurodivergências; em Goiânia, experiência de mãe de menina autista deu origem a soluções que hoje atendem famílias, escolas e clínicas
A terceira semana de setembro marca a Semana Estadual das Mães Atípicas em Goiás, instituída pela Lei nº 23.029, de 10 de outubro de 2024. O período é dedicado a dar visibilidade às mulheres que vivenciam uma maternidade atravessada por desafios que vão muito além dos cuidados cotidianos com os filhos. São mães de crianças, adolescentes e adultos com deficiência ou neurodivergências, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), que frequentemente precisam conciliar a rotina familiar com terapias, consultas, escola, burocracias e a busca por direitos e inclusão.
Por trás dessa jornada, há uma sobrecarga que nem sempre é percebida por quem está de fora. A agenda de atendimentos pode envolver profissionais de diferentes áreas, como fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e psicopedagogia, além de consultas médicas e acompanhamento do desenvolvimento em casa. A isso se somam dificuldades para conciliar trabalho e cuidado, pouco tempo para si mesmas e os obstáculos encontrados na busca por uma inclusão efetiva na escola e em outros espaços sociais.
É justamente por jogar luz sobre essa realidade que a Semana Estadual das Mães Atípicas vai além de uma homenagem. A data abre espaço para discutir acolhimento, rede de apoio, acesso a direitos e também as diferentes formas encontradas por essas mulheres para transformar experiências pessoais em caminhos capazes de melhorar a vida de outras famílias.
Em Goiânia, uma dessas histórias começou há oito anos. A administradora Sandra Paro conheceu de perto os desafios dessa rotina quando sua filha, Valentina, foi diagnosticada com TEA aos 2 anos e meio. Entre terapias, relatórios e informações registradas em inúmeras folhas de papel, Sandra percebeu como era difícil acompanhar de maneira integrada a evolução da filha e compartilhar esses dados entre os profissionais envolvidos no atendimento.
A inquietação diante daquela realidade acabou se transformando em busca por uma solução. Ao lado do marido, o especialista em tecnologia Vinícius Reis, Sandra desenvolveu inicialmente um sistema digital para organizar e cruzar informações sobre o desenvolvimento de Valentina. A ferramenta nasceu de uma necessidade da própria família, mas logo revelou potencial para ajudar outras pessoas que enfrentavam dificuldades semelhantes.
Foi assim que surgiu a ABA+ Inteligência Afetiva. Oito anos depois, a empresa goiana desenvolve soluções digitais, conteúdos, suporte e capacitação voltados a profissionais, famílias, escolas e clínicas de diferentes regiões do país.
A trajetória dialoga diretamente com uma das reflexões propostas pela Semana da Mãe Atípica: a necessidade de olhar não apenas para os desafios enfrentados por essas mulheres, mas também para o conhecimento construído a partir da experiência cotidiana do cuidado.
Campanha leva inclusão a cartões-postais de Goiânia
Neste mês, a ABA+ também promove a campanha “Construindo o Futuro com Afeto”, que leva a discussão sobre inclusão para cenários conhecidos dos goianienses. A iniciativa traz a Família Elefante — criada há oito anos junto com a empresa — em ilustrações ambientadas em cartões-postais da capital.
Os personagens Dante, Fanny, Ellie e Don aparecem em releituras inspiradas em referências da cultura e do cinema, como E.T. – O Extraterrestre, O Mágico de Oz, Alice no País das Maravilhas, Mary Poppins, Uma Aventura Lego e a emblemática travessia de Abbey Road.
A escolha do elefante acompanha a proposta da empresa desde sua origem. O animal remete a memória, empatia, sensibilidade e vínculo social, conceitos associados à ideia de cuidado e construção coletiva defendida pela ABA+.
Ao ocupar simbolicamente diferentes espaços de Goiânia, a campanha reforça uma mensagem que também ganha destaque durante a Semana Estadual das Mães Atípicas: a inclusão não deve ser responsabilidade apenas das famílias. Ela depende de uma rede formada pela sociedade, escolas, profissionais, empresas e poder público.



