Não foi o pecado que Jesus tirou do Mundo

Sete séculos antes de Jesus nascer, um profeta descreveu um homem em um capítulo: alguém que sofreria, seria rejeitado, morreria no lugar de outros e voltaria a viver — tudo muito improvável pela descrição. O nome desse capítulo é Isaías 53. Esse capítulo não fala de um povo; fala de um indivíduo. Quando se lê linha por linha, cada uma encontra correspondência exata em um evento que aconteceria sete séculos depois. A causa dessa história, porém, não é de verdade sobre o pecado: é sobre a inexistência do pecado.

A primeira coisa que Isaías destrói é a expectativa messiânica tradicional. O Servo não tinha aparência nem formosura, não teria casta, era desprezado e o mais rejeitado entre os homens — um homem calejado de dores e de padecer. A tradição inteira esperava um rei glamouroso, glorioso, poderoso e rico, capaz de abater Roma. O texto, ao contrário, anunciava alguém de quem o mundo viraria o rosto, quase na forma de um mendigo.

Em Isaías 53.4 o profeta escreve que ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si. O sofrimento dele não era pelos pecados dele, porque ele não tinha nenhum. Seria pela falta dos seus descendentes e também dos seus antecessores. Por que, então, o Pai entregaria o Filho para corrigir toda a programação para a eternidade, se Deus é perfeito e o ser humano já está em Deus e para Deus?

Isaías 53.5 diz que ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; que o castigo que nos traz a paz estava sobre ele e que pelas suas pisaduras fomos sarados. As transgressões são nossas; o castigo é dele. A dor fica de um lado e a paz vai para o outro. Isso tem nome técnico: substituição. O Deus que programou toda essa realidade se fez homem para experimentar e validar a sua criação e, como um pai zeloso sobre toda a humanidade, se colocou no lugar dos seus filhos.

Que sentido tem, antes mesmo de nascermos, termos a dívida paga? Como pecamos sem ao menos começar a existir? O verso 6 responde com uma das frases mais honestas de toda a Bíblia: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas”. Toda a humanidade estava entrando em involução moral e espiritual; cada um se desviava pelo seu caminho. Não era desvio de alguns: era a condição da massa. E o versículo fecha dizendo que o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. A culpa saiu de nós e caiu sobre ele.

Algo ainda mais perturbador aparece no verso 7: o Servo é levado à morte sem reagir, como cordeiro levado ao matadouro e como ovelha muda diante dos seus tosquiadores; ele não abriu a boca. Se o Arquiteto do Jogo se fez homem para ajustar e entender a sua criação, em níveis de realidade ele fez o Filho tomar a sua forma e se render à escritura e à promessa, confiando na verdade do Pai — o Programador Aforme. Séculos depois, um homem ficou em silêncio diante das acusações exatamente como estava escrito. Ele não se defendeu. A razão é simples de entender e difícil de aceitar: ele veio para morrer.

A imagem do cordeiro não é aleatória. Durante séculos aquele povo sacrificou cordeiros pelos pecados; cada sacrifício apontava para frente, para um sacrifício final que ainda não tinha acontecido. Isaías está dizendo que o Servo é o Cordeiro definitivo. Por isso, ao ver Jesus, João Batista declara que ali estava o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Não tira o pecado: faz a correção na linha de realidade da simulação do Programador Aforme. O reboot na Matriz. Tudo se conecta.

Chegamos ao verso 10, o mais pesado do capítulo e o motivo deste texto. Está escrito que ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar. Não foi apenas a maldade dos homens que matou aquele homem: foi o próprio Pai que o esmagou. Essa perspectiva é humana, mesmo vinda de profetas, de uma mente linear e racional com a poesia daquela época. E mais chocante ainda: o texto diz que isso agradou ao Senhor. Como um pai pode se agradar de esmagar o próprio filho? A profecia é verdadeira, mas a transliteração é humana e limitada.

Não foi o sofrimento em si que agradou ao Pai. Foi aquilo que o sofrimento realizaria. Existe diferença enorme entre gostar da dor e aceitar a dor por causa do que ela resgata. O Pai olhou para a humanidade, quis trazê-la de volta, e o único caminho possível era usar do Filho — ou de si próprio — para ser justo e fazer valer a promessa. Jesus é a intervenção de Deus no mundo através dele mesmo: Deus ocupou o nosso lugar para que seguíssemos em evolução. O esmagamento não agradou; cumpriu a vontade de ajustar o que havia sido desajustado pelos homens. Foi amor operando, não crueldade.

Isaías 53 não é sobre morte. O mesmo verso 10 continua e diz que ele verá a sua posteridade e prolongará os dias. Um homem morto que, depois de morto, vê a sua descendência e prolonga os dias? Isso é ressurreição escrita séculos antes de acontecer. Isaías previu que, depois de esmagado, o Servo voltaria a viver e veria o fruto do próprio sofrimento — e que, assim como outros escolhidos por esse Engenheiro da Simulação, subiria aos céus de corpo e alma, como Enoque.

E qual é esse fruto? O verso 11 diz que o Servo, pelo seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles tomará sobre si. Do esmagamento veio a justificação. Cada pessoa declarada justa diante de Deus é o fruto daquela dor. Quando alguém é perdoado, não está recebendo um favor avulso: é o resultado direto do que aconteceu naquele verso, modelando a justiça de Deus sem medir a quem e por quem, perdoando as falhas dos ofensores assim como Ele perdoou as suas.

Por isso, quando a culpa consumir, volte a Isaías 53. As suas transgressões estavam sobre ele. O castigo que traria paz caiu sobre ele. Ele foi esmagado para que você fosse sarado. E se o próprio Pai planejou esse resgate setecentos anos antes, então Deus é um processo em processamento se processando: está sempre adicionando, restaurando e atualizando a sua Matriz Geral da Terra. Esses registros são a ata das atualizações de Deus no programa da criação, onde todos, sem exceção, estamos evoluindo para a luz. Você foi criado, buscado e amado muito antes de existir.

Isaías 53 é uma das joias que ligam o Antigo Testamento ao Messias Cristo. O problema é que a maioria das pessoas lê a Bíblia em pedaços soltos e nunca enxerga o desenho inteiro. Quando se entende o livro como um sistema único, do começo ao fim, cada profecia deixa de ser curiosidade e passa a ser rastro e assinatura do Engenheiro Programador Aforme. É outro nível de leitura — e ele muda a fé.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

Alan inicia seus trabalhos com o único objetivo, trazer a todos informação de qualidade, com opinião de pessoas da mais alta competência em suas áreas de atuação.

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