
Com 906 habitantes, Anhanguera adotou medida por 120 dias; prefeito diz que salários serão mantidos e cita queda nos repasses e calor intenso como fatores para decisão
Prefeitura de Anhanguera, menor município de Goiás, reduziu para quatro horas diárias o expediente dos setores administrativo e de obras. | Foto: Divulgação/ Prefeitura de Anhanguera
Com apenas 906 habitantes, Anhanguera, no Sudeste de Goiás, decidiu se antecipar a possíveis dificuldades nas contas públicas. O menor município do Estado reduziu para quatro horas diárias o expediente dos setores administrativo e de obras. A mudança começou na última segunda-feira, 24, e, segundo o prefeito Marcelo Martins de Paiva, não terá impacto nos salários dos servidores.
A medida foi estabelecida pelo Decreto nº 048/2026 e tem validade inicial de 120 dias. A prefeitura passa a funcionar das 7h às 11h, enquanto áreas consideradas essenciais, como Saúde e Educação, seguem com atendimento normal. O decreto também prevê outras ações para reduzir despesas e preservar o equilíbrio financeiro do município.
Ao Jornal Opção, Paiva afirmou que a decisão não ocorre em meio a uma crise nas contas municipais. Segundo ele, a folha de pagamento está em dia, assim como os fornecedores e o instituto de previdência próprio. A ideia, explica, é criar uma margem de segurança diante de possíveis dificuldades nos próximos anos.
“Na verdade, o que estou fazendo é me antecipando, me precavendo. Hoje a nossa folha de pagamento está em dia, os fornecedores e o instituto de previdência pagos. A cidade está redondinha e correta. Eu estou antecipando alguns problemas que percebo que vão se desenhar para os próximos anos, com a queda expressiva nos repasses e emendas federais”, explica o prefeito.
Calor também pesou na decisão
Além da questão financeira, o prefeito afirma que as condições climáticas enfrentadas pela região também foram consideradas na mudança do expediente.
Segundo Paiva, o calor intenso tem tornado o trabalho das equipes de obras especialmente difícil no período da tarde. Ele também demonstra preocupação com possíveis impactos das queimadas e de doenças respiratórias.
“Baseado no calor que estamos vivendo, era meio que desumano o nosso pessoal trabalhar do jeito que estava trabalhando no período da tarde. Também estou me antecipando aos problemas decorrentes do El Niño, prevendo impactos fortes de doenças respiratórias por causa de queimadas, para que a nossa equipe consiga dar uma resposta imediata à comunidade”, pontua.
A redução do expediente faz parte de um conjunto maior de medidas adotadas pela administração. O decreto determina, entre outras ações, a revisão de contratos e a contenção de despesas com diárias, passagens, cursos, congressos, materiais de consumo, energia elétrica, água, telefone e serviços de impressão. Também ficam restritas novas contratações que possam ampliar os gastos com pessoal.
A prefeitura continuará funcionando fora do horário reduzido caso haja necessidade de atendimento administrativo entre 12h e 16h. Nesses casos, porém, o decreto estabelece que não haverá pagamento de horas extras.
Os serviços essenciais não entram na redução. Saúde, Educação e programas sociais de caráter continuado seguem funcionando normalmente.
Servidores não terão salário reduzido
Uma das principais dúvidas em relação à medida era se a redução do expediente também provocaria corte na remuneração dos servidores. Ao Jornal Opção, o prefeito garantiu que isso não vai acontecer.
“Não vamos ter redução de salários, porque a gente consegue, mesmo sendo em meio período, organizando e mobilizando a equipe, desempenhar os mesmos serviços prestados à comunidade. Então não vai haver detrimento nenhum”, afirma.
Segundo Paiva, a reorganização das equipes permitirá que os serviços continuem sendo realizados mesmo com a redução do horário. A administração também avalia outras alternativas para reduzir despesas, caso sejam necessárias novas adequações ao longo dos próximos meses.
A medida tem validade inicial de 120 dias e poderá ser prorrogada ou revista pela prefeitura, conforme o comportamento das contas municipais e as necessidades da administração.


