Duas estrelas se apagam, mas a dramaturgia brasileira ganha duas eternidades: Laura Cardoso e Glória Menezes

O Brasil se despede, em um mesmo momento, de duas das maiores damas de sua dramaturgia. Laura Cardoso, aos 98 anos, e Glória Menezes, aos 91, deixam um legado que ultrapassa gerações e permanece vivo na memória de milhões de brasileiros.

O dia 18 de agosto de 2026 entra para a história da cultura brasileira como uma data de profunda tristeza. Em poucas horas, o país recebeu a notícia da morte de duas gigantes da interpretação: Laura Cardoso e Glória Menezes. Duas mulheres de gerações próximas, trajetórias diferentes, mas unidas por algo maior: a capacidade de transformar personagens em seres inesquecíveis e fazer da televisão, do teatro e do cinema parte da vida cotidiana dos brasileiros.

Laura Cardoso morreu na noite de segunda-feira, 17 de agosto, em São Paulo, aos 98 anos. A informação foi confirmada pela família e divulgada nas redes sociais oficiais da atriz. Com mais de oito décadas de carreira, ela foi uma verdadeira pioneira da televisão brasileira, tendo começado no rádio e participado dos primeiros tempos da TV, quando as produções eram feitas ao vivo.

Laura não era apenas uma atriz. Era uma instituição da dramaturgia nacional. Ao longo de sua trajetória, interpretou mais de uma centena de personagens na televisão, além de trabalhos marcantes no teatro e no cinema. Novelas como “Mulheres de Areia”, “A Viagem” e “Gabriela” ajudaram a consolidar uma carreira que atravessou diferentes épocas da televisão brasileira. Sua última novela foi “A Dona do Pedaço”, em 2019, mas ela continuou ligada à arte até os últimos anos, participando inclusive de um curta-metragem em 2025 e de uma vinheta de fim de ano da Globo.

E havia nela uma característica rara: Laura Cardoso nunca pareceu ter abandonado o ofício de atriz. Mesmo depois de décadas de televisão, continuava tratando a profissão com respeito, disciplina e paixão. Seu nome se tornou sinônimo de talento, profissionalismo e resistência.

Poucas horas depois, outra notícia abalou o país: Glória Menezes também morreu, aos 91 anos, encerrando uma trajetória de aproximadamente seis décadas dedicada ao teatro, ao cinema e à televisão. A atriz foi uma das grandes protagonistas da história da teledramaturgia brasileira e construiu uma carreira marcada por personagens que ficaram na memória coletiva.

Glória Menezes foi também parte de uma das mais emblemáticas parcerias da televisão brasileira ao lado de Tarcísio Meira, seu marido durante quase seis décadas. Juntos, os dois ajudaram a construir a história das primeiras grandes novelas brasileiras, inclusive em “2-5499 Ocupado”, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira.

Ao longo dos anos, Glória mostrou sua versatilidade. Foi protagonista, mocinha, personagem dramática, comediante e vilã. A inesquecível Laurinha Figueiroa, de “Rainha da Sucata”, mostrou ao público uma faceta diferente da atriz e entrou para a galeria das grandes personagens da televisão. Também esteve em produções como “Guerra dos Sexos”, “Brega & Chique”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “A Favorita”, “Senhora do Destino” e “Totalmente Demais”, sua última novela.

É impossível falar de Glória Menezes sem falar de sua elegância em cena, de sua força interpretativa e da maneira como conseguia dar humanidade até aos personagens mais complexos.

Uma coincidência que entristece o Brasil

A morte de Laura Cardoso e Glória Menezes no mesmo período produz uma sensação ainda maior de encerramento de um ciclo.

Elas pertencem a uma geração que ajudou a construir a televisão brasileira praticamente desde os seus primeiros passos. Quando a televisão ainda era uma novidade, elas estavam lá. Quando as novelas passaram a reunir famílias diante da mesma tela, elas estavam lá. Quando a dramaturgia brasileira ganhou reconhecimento internacional, seus nomes já estavam inscritos nessa história.

Laura e Glória não apenas participaram da história da televisão brasileira. Elas ajudaram a escrevê-la.

Laura Cardoso recebeu, em 2025, a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cultural, uma das mais importantes honrarias culturais do país. Glória Menezes também foi agraciada com a mesma distinção. Em agosto de 2026, poucos dias antes de sua morte, Glória havia sido homenageada na Calçada da Fama da Globo, ao lado de outros grandes nomes da televisão.

A televisão perde duas estrelas. O teatro perde duas referências. O cinema perde duas artistas de enorme importância.

Mas o público ganha algo que o tempo não consegue destruir: a memória.

Porque personagens permanecem. Cenas permanecem. Vozes permanecem. Histórias permanecem.

Laura Cardoso e Glória Menezes agora pertencem definitivamente à memória afetiva do Brasil. E talvez essa seja uma das maiores vitórias de um artista: partir, mas continuar vivendo na lembrança daqueles que um dia se emocionaram, riram, choraram e se reconheceram diante de uma personagem interpretada por suas mãos.

Hoje, o Brasil está de luto.

Mas também está diante de um imenso legado.

Duas estrelas se foram. Duas eternidades nasceram.

Laura Cardoso e Glória Menezes: obrigado por tantas histórias, tantos personagens e tantos momentos inesquecíveis.

O espetáculo termina para o artista. A arte, porém, permanece para sempre.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

Alan inicia seus trabalhos com o único objetivo, trazer a todos informação de qualidade, com opinião de pessoas da mais alta competência em suas áreas de atuação.

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