
Existem outras candidaturas viáveis para eleitores de direita
Flávio Bolsonaro tem acumulado muitas polêmicas e poucas vitórias. Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro entrou na corrida presidencial com o maior ativo possível dentro do bolsonarismo: o sobrenome. O problema é que, até agora, parece depender quase exclusivamente dele. Com Jair Bolsonaro preso e fora das urnas, o filho tenta ocupar o espaço do pai sem demonstrar a mesma força política, capacidade de articulação ou domínio do discurso.
A declaração de Gilberto Kassab nesta quinta-feira, 14, de que Flávio “não será eleito”, escancara uma dificuldade que vai além da provocação política: a falta de conexões capazes de transformar uma candidatura bolsonarista em uma frente eleitoral ampla.
Também não faltam crises. As ligações e contatos envolvendo Daniel Vorcaro na controvérsia em torno do filme Dark Horse, colocaram novamente Flávio no centro de questionamentos. Em vez de apresentar uma candidatura capaz de discutir o futuro, ele frequentemente acaba obrigado a explicar episódios ligados ao próprio círculo político.
Há ainda a dificuldade de construir uma identidade. Flávio tem mandato, mas pouco conseguiu se destacar por projetos ou por um discurso próprio. Seus principais argumentos eleitorais continuam sendo a defesa do legado do pai e a manutenção do bolsonarismo.
Esse é justamente o problema: uma eleição presidencial exige mais do que uma base fiel. Exige capacidade de ampliar alianças, conquistar eleitores independentes e apresentar um projeto que sobreviva à figura de seu principal padrinho político.
A direita, portanto, não deveria tratar a candidatura de Flávio como uma escolha automática. Se o objetivo é chegar ao Planalto, será preciso avaliar quem tem viabilidade eleitoral, capacidade de articulação e discurso próprio. Flávio ainda pode reagir, mas, até aqui, parece mais empenhado em carregar o legado do pai do que em construir o próprio caminho.
Flávio ainda pode mudar esse cenário. Mas, por enquanto, observa o Planalto cada vez mais de longe, e excessivamente à sombra de um pai que já não pode disputar a eleição.



