
Em 2025, as exportações agrícolas americanas somaram US$ 171 bilhões — apenas US$ 2 bilhões a mais que as brasileiras. Para 2026, o governo Trump projeta US$ 177,5 bilhões, enquanto o Brasil, mantido o ritmo atual, pode chegar a US$ 180 bilhões. Em uma década, a diferença entre os dois países despencou de cerca de US$ 45 bilhões (2015) para apenas US$ 2 bilhões (2025).
Por que o Brasil chegou até aqui
A ascensão não foi acidental. Resulta de décadas de investimentos em pesquisa (especialmente via Embrapa), desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima tropical, correção de solos ácidos do Cerrado e adoção de sistemas integrados (soja-milho-algodão-pecuária) que permitem até três safras por ano na mesma propriedade — vantagem impossível em climas temperados como o americano.
A isso se somou uma janela de oportunidade geopolítica:
• Guerra comercial EUA-China a partir de 2018 (tarifas de Trump), que fez a China diversificar fornecedores;
• Peste suína africana na China;
• Guerra Rússia-Ucrânia e seus efeitos sobre grãos e fertilizantes;
• Mais recentemente, a escalada no Oriente Médio, que elevou o preço do diesel nos EUA em até 60%, elevando custos de produção e transporte americanos.
Enquanto os produtores americanos sofrem com agenda protecionista, queda de vendas para a China (soja caiu 40%) e perdas estimadas em US$ 32 bilhões em 2026, o Brasil consolidou liderança em soja, café, açúcar e carne bovina e avançou sobre milho e algodão.
O papel da China
A China é o centro da disputa. Com 1/5 da população mundial e menos de 10% das terras cultiváveis, acumula o maior déficit agrícola do planeta (US$ 125 bilhões). Cerca de 80% da soja que consome vem do exterior — e 70% dessas compras são brasileiras. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para a China já somaram US$ 58 bilhões (+20% em relação ao ano anterior).
O próximo desafio
Apesar da força, o agro brasileiro ainda concentra cerca de 40% das exportações em soja e carnes e depende fortemente de um único comprador. Enquanto nos EUA produtos processados, bebidas, frutas e vegetais representam 38% das exportações agrícolas, no Brasil esse índice é de apenas 7%.
O texto conclui que o campo já provou ser capaz de multiplicar safras. A nova fronteira é multiplicar o valor de cada uma delas — ampliando mercados, fortalecendo a indústria de alimentos e reduzindo a dependência de commodities in natura.



