Os 30 maiores filmes de romance de todos os tempos

Uma seleção de clássicos e obras modernas organizada do 30º ao 1º lugar.

O amor sempre deu ao cinema uma desculpa excelente para falar de quase tudo. Guerras, diferenças de classe, adultérios, casamentos de conveniência, encontros que duram uma noite e separações que atravessam décadas acabam submetidos à mesma força caprichosa, capaz de transformar um café em Paris, uma estação ferroviária inglesa, um quarto apertado em Hong Kong ou o convés de um transatlântico no cenário decisivo da vida de alguém. Desde que F. W. Murnau levou um casal em crise da aldeia à cidade em “Aurora”, em 1927, cineastas de todos os continentes vêm tentando descobrir o que acontece quando duas pessoas se reconhecem no meio da multidão e, por razões quase sempre inoportunas, passam a depender daquela descoberta.

Há romances que encontram abrigo na comédia, em diálogos rápidos e desentendimentos que se resolvem antes do último beijo. Outros nascem condenados pela guerra, pelo dinheiro, pelo preconceito, pela família ou pela simples covardia de quem demora demais para dizer o que sente. “Casablanca” fez da renúncia uma imagem definitiva; “Amor à Flor da Pele” confinou o desejo em corredores estreitos; “Antes do Amanhecer” entregou a dois desconhecidos algumas horas e uma cidade inteira; “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” imaginou uma tecnologia capaz de apagar o fracasso amoroso sem conseguir eliminar a inclinação para repeti-lo.

Escolher os trinta maiores filmes de romance de todos os tempos implica contrariar muita gente. Ficam de fora obras queridas, fenômenos de bilheteria, melodramas que ainda arrancam lágrimas e comédias românticas capazes de sobreviver a reprises intermináveis. A seleção considera influência, permanência, invenção formal, força das atuações e, principalmente, a maneira como cada filme conseguiu tornar particular uma experiência conhecida por quase todos. A ordem vai do 30º ao 1º lugar, reunindo produções populares, clássicos silenciosos, musicais, dramas históricos e histórias em que a paixão surge sob formas menos dóceis.

Nenhuma lista encerra o assunto. Esta ao menos deixa claro por que, depois de tantas despedidas em aeroportos, estações, ruas molhadas e quartos mal-iluminados, o cinema continua voltando ao mesmo velho problema: duas pessoas podem até encontrar-se no momento certo; permanecer juntas é que exige um roteiro muito melhor.

30 — Uma Linda Mulher (1990), de Garry Marshall

Edward Lewis, empresário especializado em comprar companhias em dificuldades para revendê-las em partes, chega a Los Angeles para mais uma negociação. Perdido pelas ruas de Hollywood, conhece Vivian Ward, uma prostituta espirituosa que o ajuda a voltar ao hotel. O encontro transforma-se num acordo: durante uma semana, ela o acompanhará em jantares e compromissos profissionais. Entre lojas de luxo, constrangimentos de classe e uma convivência que nenhum dos dois planejara, Vivian percebe o tamanho do abismo social entre eles, enquanto Edward começa a questionar a vida impessoal que construiu. O romance cresce no choque entre dinheiro, desejo e a possibilidade de escolher um destino diferente.

29 — Diário de uma Paixão (2004), de Nick Cassavetes

Numa casa de repouso, um homem lê para uma mulher a história de Noah Calhoun e Allie Hamilton, jovens de classes sociais distintas que se apaixonam no verão de 1940. Ele é um rapaz pobre que trabalha com as próprias mãos; ela pertence a uma família rica, disposta a decidir seu futuro. Separados pela oposição dos pais, pela distância e pela Segunda Guerra Mundial, seguem caminhos diferentes. Anos depois, Allie, já noiva de Lon Hammond Jr., reencontra Noah na casa antiga que ele restaurou conforme os planos imaginados pelos dois. Cartas nunca entregues, promessas interrompidas e lembranças ameaçadas pela doença transformam a paixão juvenil numa história de perseverança, escolha e perda.

28 — Orgulho e Preconceito (2005), de Joe Wright

Elizabeth Bennet vive com os pais e quatro irmãs na Inglaterra rural do fim do século 18, onde um casamento vantajoso pode decidir o futuro econômico de uma mulher. Inteligente, irônica e avessa à submissão, ela conhece Fitzwilliam Darcy num baile e interpreta sua reserva como arrogância. Ele, herdeiro de grande fortuna, também a julga a partir dos preconceitos de sua classe. Entre visitas, propostas desastrosas, escândalos familiares e revelações sobre o sedutor George Wickham, os dois precisam desmontar as certezas que construíram um sobre o outro. A aproximação ocorre devagar, sustentada por equívocos, recusas e gestos discretos, até que ambos reconheçam o papel que desempenharam na própria infelicidade.

27 — Me Chame pelo Seu Nome (2017), de Luca Guadagnino

No verão de 1983, Elio Perlman passa as férias com os pais numa casa de campo no norte da Itália, cercado por livros, música, bicicletas e tardes preguiçosas. A rotina muda com a chegada de Oliver, doutorando americano convidado a auxiliar o pai de Elio em suas pesquisas acadêmicas. A princípio, a autoconfiança do visitante irrita o adolescente, que alterna curiosidade, ciúme e um desejo ainda difícil de nomear. Pequenos gestos, conversas interrompidas e passeios por vilarejos aproximam os dois, enquanto a duração limitada da temporada torna cada encontro mais urgente. O romance floresce sob o sol lombardo e adquire, na des

Compartilhe seu amor
Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

Alan inicia seus trabalhos com o único objetivo, trazer a todos informação de qualidade, com opinião de pessoas da mais alta competência em suas áreas de atuação.

Artigos: 23492