O Exílio do Fundador a história de Steve Jobs

Steve Jobs foi expulso da Apple, empresa que ele mesmo fundou em 1976 numa garagem. Em 31 de maio de 1985, o conselho de administração da Apple escolheu John Sculley (ex-Pepsi, recrutado pelo próprio Jobs) em vez dele.

Jobs, então com 30 anos, perdeu todas as responsabilidades operacionais. Tiraram-lhe o comando da divisão do Macintosh. Ofereceram-lhe apenas uma sala vazia em um prédio distante — os funcionários apelidaram o lugar de “Sibéria”.

Não foi uma demissão formal, mas um esvaziamento total de poder. O conselho via Jobs como temperamental, obcecado e incapaz de entregar o Macintosh nos prazos e custos previstos. As vendas decepcionaram. Sculley defendia ordem e disciplina.

Jobs tentou um último movimento nos bastidores para retomar o controle enquanto Sculley viajava. O plano vazou. O conselho foi convocado e escolheu Sculley por unanimidade. Em setembro de 1985, Jobs vendeu quase todas as suas ações da Apple, mantendo apenas uma para receber relatórios.

A humilhação foi pública. Ele se sentiu um fracasso, pensou em sair do Vale do Silício. Aos 30 anos, multimilionário, estava sem empresa.
Mas Jobs não parou. Usou parte da fortuna para fundar a NeXT, empresa de computadores sofisticados para universidades e laboratórios. Comercialmente, foi um fracasso. Tecnicamente, foi um laboratório do futuro: seu sistema operacional mais tarde sustentaria a Apple.

No mesmo período, comprou por US$ 10 milhões a divisão de computação gráfica da Lucasfilm, que se tornou a Pixar. Durante anos, a Pixar queimou dinheiro e Jobs cobriu os prejuízos do próprio bolso.

Em 1995, a Pixar lançou Toy Story, o primeiro longa-metragem inteiramente feito por computador — um fenômeno mundial. Jobs revolucionou o cinema enquanto estava fora da Apple.

Em 1996, a Apple estava à beira da falência. A solução foi comprar a NeXT — e, junto com ela, trazer de volta Steve Jobs onze anos após a expulsão. Em 1997, ele assumiu como CEO interino.

Jobs cortou produtos, fechou acordo com a Microsoft, lançou o iMac. Vieram depois o iPod, iPhone e iPad. Quando morreu em 2011, a Apple era a empresa mais valiosa do planeta.

A lição central: toda queda pode esconder um triunfo. O exílio não foi pausa — foi forja. A NeXT e a Pixar, que pareciam derrotas ou caprichos, tornaram-se a chave do retorno triunfal.

Quando te tirarem algo que você construiu, lembre: a “Sibéria” também pode ser o lugar onde você se prepara para voltar mais forte. O que te traz de volta não é o ressentimento, mas o que você constrói enquanto está fora.

(Texto baseado na newsletter “Queda e Triunfo” — história contada com tom cinematográfico.)

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

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