
Existe uma grande diferença entre conquistar um cargo e conquistar pessoas. Infelizmente, muita gente descobre isso tarde demais.
Quando alguém recebe a chamada “caneta do poder”, passa a experimentar uma realidade diferente. De repente, o telefone toca mais vezes, os convites aumentam, os elogios surgem de todos os lados e uma multidão de novos amigos aparece. São os amigos da caneta. Eles chegam sorrindo, oferecendo apoio, demonstrando admiração e fazendo a pessoa acreditar que aquele prestígio será eterno.
Mas há uma verdade que o tempo nunca deixa de revelar: a tinta da caneta não dura para sempre.
Todo mandato tem começo, meio e fim. Todo cargo é passageiro. Toda posição de poder é temporária. A caneta que hoje assina nomeações, libera recursos e abre portas, um dia perde sua tinta. E quando a tinta acaba, muitos daqueles que pareciam inseparáveis desaparecem na mesma velocidade com que chegaram.
O problema não está apenas nos amigos da caneta. O verdadeiro erro acontece quando o ocupante do poder esquece daqueles que estavam ao seu lado antes da posse, antes dos aplausos e antes das homenagens. Esquece os amigos de verdade, aqueles que permaneceram nos momentos difíceis, quando não havia cargo, influência ou benefícios a oferecer.
A ilusão do poder faz algumas pessoas acreditarem que são maiores do que realmente são. Confundem respeito ao cargo com respeito à pessoa. Confundem interesse com amizade. Confundem conveniência com lealdade.
Então chega o dia inevitável em que o mandato termina. A cadeira muda de dono. A caneta perde a tinta. E aquele que antes era cercado por multidões percebe que muitos dos rostos que o acompanhavam estavam, na verdade, acompanhando apenas o poder que ele representava.
Nesse momento surge uma das maiores tristezas da vida pública: descobrir que perdeu os amigos da caneta porque a tinta acabou e perdeu os amigos verdadeiros porque não soube preservá-los.
A sabedoria está em compreender que cargos passam, mandatos terminam e o poder é transitório. O que permanece são os relacionamentos construídos com respeito, humildade e gratidão. Quem valoriza as pessoas apenas quando precisa delas acaba caminhando sozinho. Quem valoriza as pessoas independentemente do cargo constrói um patrimônio que nenhuma eleição pode tirar.
A verdadeira grandeza não está na força da caneta, mas na capacidade de permanecer o mesmo quando a possui e quando a perde.
Porque, no final das contas, a tinta acaba para todos. Mas a amizade verdadeira, quando bem cuidada, atravessa mandatos, governos e toda uma vida.



