
Vivemos tempos em que uma nova “doutrina” tem ganhado espaço silenciosamente nos corações: o EUvangelho. Não é o Evangelho de Cristo, que ensina amor, renúncia e serviço. É o evangelho do “eu acima de tudo”, da vontade própria como regra absoluta, da busca incessante por satisfação pessoal, ainda que isso custe a dor do outro.
O EUvangelho prega a individualidade sem responsabilidade, o egoísmo disfarçado de amor-próprio e a indiferença travestida de liberdade. Nele, não há espaço para empatia, para o cuidado com o próximo, para o ouvir com o coração. Cada um vive por si, para si, e apenas para si. E assim, aos poucos, relações se tornam superficiais, laços se enfraquecem e o amor verdadeiro vai sendo substituído por conveniência.
Essa “fé” também alimenta a alienação. As pessoas deixam de enxergar o sofrimento alheio, ignoram as injustiças e se fecham em bolhas onde só importa o que lhes agrada. É um afastamento perigoso da essência do que Deus nos ensinou: amar ao próximo como a si mesmo, estender a mão, repartir o pão, ser luz na vida do outro.
O verdadeiro Evangelho nunca foi sobre colocar o “eu” no centro, mas sobre aprender a servir. Jesus não viveu para si — Ele se entregou, acolheu, perdoou e ensinou pelo exemplo que a grandeza está na humildade e no amor ao próximo.
Que possamos vigiar nossos passos para não cair nessa armadilha moderna. Que o “eu” não seja maior que o “nós”. Que a empatia vença o egoísmo. E que o amor volte a ser o verdadeiro guia das nossas atitudes.
Porque no fim, não é sobre o quanto acumulamos para nós, mas sobre o quanto fomos capazes de fazer pelo outro.



