
Demóstenes Torres
Quando eu era menino do buchão na minha Anicuns natal, havia o ditado de que não adianta mexer com quem prefere o atraso. O sucesso de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, em que acaba de subir outros 8 pontos e superar Lula, tem muitas justificativas. Torço para que uma delas seja seu projeto de impedir a reeleição para cargos no Executivo.
(Quem acha que Lula 3 não deixou marcas, pule direto para o final do texto e veja que Xou da Xuxa é esse.)
Em tese, a possibilidade de continuar no cargo e não parar os programas é um remédio contra a burocracia. Para dar ideia, há licitação para reforma de estrada que consome mais que os mil dias que JK levou para construir Brasília.
Porém, o governante mal entra para 4 anos de mandato e já começa a tomar as medidas para ficar 8.
Aí, a prioridade é conquistar voto, mesmo tendo ido às urnas 60 e poucos dias antes. Em vez de realizar o necessário, faz o que rende apoio. Para ele, adianta mexer com quem prefere o atraso.
Em vez de investir na infraestrutura, em ciência e tecnologia, distribui bolsas a quem precisa ou não. Mantém no INSS os chefes que roubam até que alguém denuncie, mas demite sem dó se não reduzir as filas dos benefícios, quer nem saber se os pretendentes têm direito.
É a 3ª reeleição presidencial que o PT disputa desde que o mundo existe. O Universo tem quase 14 bilhões de anos, mas o partido acha que esta galáxia foi inaugurada em 2003, quando Lula assumiu o Executivo.
Todavia, a alma mais honesta da história deste país vive dias de inquietude.
Na estratégia da esquerda, aquela corrente de pensamento que não pensa há 14 bilhões de anos, era preciso processar Jair Bolsonaro, pai de Flávio, para reeleger Lula em 2026. Foi processado. E continuou bem nas pesquisas.
Era imprescindível apená-lo.
Duas sentenças e mesmo assim ele superava Lula em todos os levantamentos.
E se ficasse inelegível? Ficou. E manteve o ótimo desempenho nas consultas populares.
Enquanto estivesse solto, o eleitor se lembraria de quem é o anti-PT. Cadeia pra ontem.
Pronto!, tá preso. E agora? Que coisa, permanece na memória do brasileiro.
Quando tirá-lo da domiciliar, as porcentagens sossegam.
Viirou plano infalível do Cebolinha, falhou de novo. Olha, vi os índices: liderando.
As mídias sociais estavam repletas de posts avaliando que, se fosse para a Papuda, o Brasil viraria uma arquibancada do Maracanã, de tanta camisa canarinho se manifestando.
Já na Papudinha seria mais confortável que na Polícia Federal. Veja só…
Mas ele não sarou até hoje da facada.
Doente? Doente ficou, de raiva, quem foi para baixo nas pesquisas.
Internado na UTI, quase morreu.
Por pouquíssimo, não funcionou.
Vivo, desistiu de esperar liberdade e escolheu o primogênito para candidatar a presidente.
Cientistas políticos bradavam que o rapaz não venceria de jeito nenhum.
Resumo dos diálogos nas hostes hostis:
“Vai ser mais faço tê 4° mandato do que surrupiá pusentadoria de vein, vou nem rezá o terço”.
“Tenho uma nutiça ruim, cumpaêro, o sinhô tá novamente em 2°.”
(Xingamentos, palavrões…)
“Quem é o 1°?”
Bolsonaro.
(Mais xingamentos, mais palavrões…)
“Vai me dizê que tô perdeno prum sujeito processado, condenado, inelegivo e preso…”
Não, é o outro, o 01.
Surgiu Daniel Vorcaro, que Lula recebia até à noite, fora da agenda. Quando faltava vaga para alguém no ministério, mandava para o Banco Master com salário maior. A bancada federal ia às festas, colegas chegavam segunda-feira elogiando as belezas importadas da Europa…
O presidente, não, mas o diminutivo, a amiga dele e seu irmão…
Não adianta mexer com o atraso.
Foram 40 meses desse nível, monitorando o país para descobrir que empresário ainda não recebeu uma dentada no caixa ou que carente ainda não mordeu o orçamento.
Tudo em vão no reino do populismo. Pobres e ricos, nordestinos e sulistas, homens e mulheres, o Brasil se cansou de Lula. Para outubro, o Viktor Orbán da esquerda será surrado nas urnas não por sua idade, mas por sua incapacidade. Acabou. O modelo pão e circo já era porque o circo pegou fogo, o pão o diabo amassou e valha-nos Deus com a renovação.
Flávio vai ser eleito presidente por um país dividido não entre esquerda e direita, lulistas e bolsonaristas, liberais e conservadores, mas entre os querem muito e os que desejam ainda mais uma nação desenvolvida. Sua vitória será a de uma virada nos rumos, de quem olha para a frente e não quer que a geração que começa amanhã seja perdida como a que estreou em 2003, prejudicando o 1° 1/4 deste século, 20 anos no vermelho.
A virada de chave tem de ser para o crepúsculo do fingimento que nos custa tempo (todo) e dinheiro (trilhões). Parar de fingir que existem educação e saúde públicas. No frigir dos ovos, como também se dizia na Anicuns da minha infância, nem uma nem outra prestam, rastejamos nas aferições internacionais de ensino e o sofrimento é imenso nos hospitais. Basta a Flávio gerir com a verdade.
Porém, não se pode mentir que Lula vai entrar no rodapé da história, pois deixou sua marca nas pessoas, a marca da forca, como no filme com Clint Eastwood. Juros, tributos, desvios e mais quatro anos a menos tatuaram a corda no pescoço de cada brasileiro. Foi esse o lucro de insistir com o atraso.



