
O ex-governador Ronaldo Caiado alcançou algo que, em certos momentos, parecia improvável: tornou-se candidato oficial à Presidência da República pelo PSD, foi tratado com seriedade pela mídia e pelo establishment político e, de quebra, passou a representar a possibilidade real de uma terceira via, rompendo a cansativa polarização entre lulismo e bolsonarismo.
Uma façanha e tanto.
O colunista Elio Gaspari, da Folha de S. Paulo, resumiu bem o impacto ao escrever que, com a entrada de Caiado na disputa, “a campanha eleitoral perdeu o gosto ruim da monotonia. Lula x Bolsonaro (pai ou filho) é uma disputa velha”.
Outros analistas reforçaram essa visão. Joel Pinheiro da Fonseca, também da Folha, questionou “Por que Caiado e não Flávio?” e respondeu destacando dois pontos principais:
🟡Caiado é uma figura consolidada da direita: foi candidato a presidente já em 1989, tem perfil conservador, forte ligação com o agronegócio, discurso firme na área de segurança e uma imagem tradicional que dialoga com uma parcela crescente do eleitorado brasileiro.
🟡Seu principal ativo, porém, é a experiência de gestão. Em sete anos à frente de Goiás, o estado registrou queda consistente nos índices de violência e avançou significativamente nas contas públicas. No Ranking de Competitividade dos Estados (CLP), Goiás saltou da 21ª posição em 2019 para a 5ª colocação em 2025 no quesito Solidez Fiscal.
A repercussão na imprensa nacional foi, em geral, positiva e respeitosa. Diferentemente do que muitos esperavam, a candidatura de Caiado foi vista como uma novidade que complica as previsões de uma eleição novamente restrita aos dois polos extremos.
Na comparação direta com Flávio Bolsonaro, Caiado apresenta vantagens claras: experiência comprovada de gestão, trânsito democrático e um perfil que o diferencia do bolsonarismo raiz. Isso abre espaço para a possibilidade de uma surpresa no segundo turno.
O lançamento da campanha foi, sem dúvida, um sucesso. Caiado dominou as manchetes, concedeu diversas entrevistas a grandes veículos e conseguiu espaço generoso para expor suas ideias iniciais.
É apenas o começo. O caminho até o Planalto segue longo e desafiador, especialmente diante de eleitorados fiéis tanto de Lula quanto de Bolsonaro. Mesmo assim, o momento atual é favorável ao goiano.
Prova disso é a pesquisa Atlas/Intel realizada em Minas Gerais, que aponta empate técnico no segundo turno entre Lula e os principais nomes da direita — inclusive Caiado, que aparece com 40,8% das intenções de voto contra 44,2% de Lula (dentro da margem de erro).



