Filha de Iris Rezende e viúva de Maguito na política: muito barulho por nada

A política de alto nível é um jogo para profissionais experientes. Apenas eles conseguem enxergar além da cortina de fumaça criada por certos acontecimentos que geram repercussão, mas não produzem nenhum resultado concreto no verdadeiro tabuleiro do poder.

Dois casos recentes em Goiás ilustram bem isso: a filiação de Ana Paula Rezende (filha de Iris Rezende) ao PL e a de Flávia Teles (viúva de Maguito Vilela) ao PSDB. As cerimônias foram marcadas por discursos inflamados, gritos de guerra, posts nas redes sociais e manchetes nos jornais — tudo calculado para chamar atenção. Na prática, porém, trata-se apenas de muito barulho por nada.

Ana Paula e Flávia Teles são figuras de pouca expressão no cenário político goiano. Além do peso do sobrenome familiar, elas não têm conexões relevantes com lideranças que realmente influenciam o resultado das eleições. Na filiação de Ana Paula ao PL, estiveram presentes apenas 12 prefeitos (nenhum de cidade com grande colégio eleitoral), dois deputados estaduais e o senador Wilder Morais, candidato do partido ao governo. Do MDB, partido que ela deixou, não houve nenhuma manifestação de apoio ou prestígio.

No caso de Flávia Teles, a situação foi ainda pior: na assinatura da ficha do PSDB, compareceram somente os dois deputados estaduais da legenda (Gustavo Sebba e José Machado), com o ex-governador Marconi Perillo presidindo o ato.

Nenhuma das duas tem força, relevância ou capital político suficiente para alterar o cenário eleitoral de 2026. Como bem analisou o site Folha Z, a filiação de Flávia Teles “tem mais valor simbólico do que impacto real”. Serve para gerar agenda, ocupar espaço e criar narrativa, mas não muda o tabuleiro nem traz votos expressivos para a disputa majoritária.

A mesma lógica se aplica a Ana Paula Rezende. Ambas podem aparecer em palanques e programas de televisão, mas não têm popularidade própria nem carisma herdado dos familiares. São conhecidas mais por herança ou casamento do que por trajetória popular ou identificação com o dia a dia da população.

Como diria o escritor Adolfo Bioy Casares, em política eleitoral as prioridades vêm primeiro: alianças fortes, apoio de lideranças com real peso e uma estrutura robusta de campanha.

Tudo o mais fica em segundo plano — e é exatamente nesse plano secundário que se encaixam Ana Paula e Flávia Teles, como coadjuvantes de um espetáculo midiático que mal arranha a essência da disputa em Goiás.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

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