
Daniel Vorcaro, fundador e ex-banqueiro do Banco Master, assinou na noite de 19 de março de 2026 um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF). Esse acordo representa o primeiro passo formal para viabilizar uma possível delação premiada (colaboração premiada) no âmbito das investigações sobre fraudes no banco.
O documento obriga todas as partes envolvidas — Vorcaro, sua defesa, a PGR e a PF — a manterem sigilo absoluto sobre as negociações e tratativas iniciais. Essa confidencialidade é uma etapa preliminar comum nesses processos, que permite discutir o conteúdo da colaboração sem vazamentos prematuros e protege a consistência das informações prestadas.
Vorcaro está preso preventivamente desde o início de março de 2026, após a 3ª fase da operação Compliance Zero, que apura crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo fraudes na captação de recursos, corrupção institucional (com suposta cooptação de funcionários do Banco Central), lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e obstrução de Justiça.
O inquérito é relatado pelo ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a transferência do empresário, também em 19 de março, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF na capital federal — medida vista como facilitadora das conversas para o acordo.
A defesa de Vorcaro é liderada pelo advogado José Luis Oliveira Lima (conhecido por conduzir delações como a de Léo Pinheiro na Lava Jato), que já se reuniu com Mendonça para discutir o tema. Caso a delação seja formalizada, Vorcaro poderá fornecer informações relevantes em troca de benefícios penais, como redução de pena ou regime mais brando em eventual condenação, desde que as provas sejam úteis para a PGR avançar com denúncias.
A negociação ocorre em conjunto entre PF e PGR, o que, segundo fontes, visa evitar inconsistências, mentiras ou vazamentos seletivos. Até o momento, trata-se apenas da fase inicial: o termo foi assinado, mas a delação propriamente dita ainda não está fechada e depende da qualidade e relevância das informações que Vorcaro apresentar.
O caso do Banco Master tem gerado repercussão por envolver supostas relações com figuras políticas e do Judiciário, e uma eventual colaboração premiada pode trazer novos desdobramentos para as investigações. As tratativas seguem sob sigilo.



