
O governo dos Estados Unidos está analisando a possibilidade de designar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida integra uma estratégia mais ampla da administração americana para intensificar o combate ao tráfico internacional de drogas na América Latina.
A proposta tem como um dos principais defensores o secretário de Estado Marco Rubio e, segundo informações da GloboNews, já está em estágio avançado. A expectativa é que o tema seja encaminhado ao Congresso dos EUA para aprovação nos próximos dias. O chanceler brasileiro Mauro Vieira discutiu o assunto diretamente com Rubio, e a questão pode entrar na agenda de uma futura conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Desde o início do segundo mandato de Trump, em 2025, os Estados Unidos já classificaram 25 organizações estrangeiras como terroristas. Um exemplo recente foi o Cartel de los Soles, grupo venezuelano associado ao governo de Nicolás Maduro, designado em novembro de 2025. Pouco tempo depois, em janeiro de 2026, uma operação militar americana na Venezuela resultou na captura de Maduro, acusado de envolvimento com o narcotráfico.
Essa designação como organização terrorista permite aos EUA aplicar sanções financeiras, restrições migratórias e, em alguns casos, ações unilaterais — inclusive militares —, com base em legislações aprovadas após os atentados de 11 de setembro de 2001. No Brasil, a possibilidade gera preocupação quanto a uma eventual interferência externa em território nacional, semelhante ao que ocorreu na Venezuela.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou a iniciativa em vídeo nas redes sociais, afirmando que ela representa uma ameaça à soberania brasileira. Segundo ele, os EUA passaram a se considerar autorizados a atuar em qualquer país contra grupos classificados como terroristas quando seus interesses são afetados. Edinho destacou que o Brasil já combate o PCC e o CV por meio de investigações policiais, como a Operação Carbono Oculto da Polícia Federal, que apura crimes como sonegação fiscal, fraudes e lavagem de dinheiro.
“Nós sabemos que o PCC e o Comando Vermelho são organizações criminosas. São traficantes que atuam no Brasil e em boa parte do mundo, assim como outras organizações criminosas em diversos países, inclusive nos Estados Unidos. Por isso estamos tomando medidas para derrotá-los”, declarou Edinho, reforçando: “Em defesa da soberania do Brasil e da nação brasileira: o Brasil não é um puxadinho do Trump”.
A comparação com o caso venezuelano tem sido recorrente nas análises, já que a classificação do Cartel de los Soles precedeu uma intervenção militar direta dos EUA no país vizinho. No Brasil, o debate envolve não apenas o combate ao crime organizado, mas também os limites da soberania nacional frente a decisões unilaterais de potências estrangeiras.


