
Quando um adulto de 35 anos recebe autorização para se casar com uma menina de 12, o debate ultrapassa qualquer formalidade jurídica. Ele toca no fundamento moral de uma sociedade.
Antes de qualquer interpretação legal, existe um princípio elementar: criança não é mulher.
Criança não é esposa.
Criança precisa ser protegida.
Uma menina de 12 anos não possui maturidade emocional, psicológica ou biológica para consentir uma relação com um adulto. Isso não é posicionamento ideológico. É entendimento científico, ético e jurídico.
O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente foi criado para assegurar que a infância seja tratada como fase de desenvolvimento, cuidado e proteção integral — não como espaço de relativização.
O que preocupa não é apenas um caso isolado. É o risco da normalização.
O Brasil registra números alarmantes de violência sexual contra crianças e adolescentes. Esses dados não são narrativas. São fatos documentados.
Quando a linguagem suaviza a vulnerabilidade, quando termos duros são substituídos por expressões socialmente aceitáveis, algo essencial começa a se deteriorar.
Não se trata de costumes. Trata-se de limites.
Uma sociedade é medida pela forma como protege seus mais frágeis.
Se a infância deixa de ser território absolutamente inegociável, o que permanece como inegociável?
Levantar essa reflexão não é atacar pessoas. É defender princípios.
É reafirmar que infância não se relativiza.
Não se negocia.
Não se adapta à conveniência adulta.
Não é sobre política.
É sobre consciência.
E consciência não pode se calar quando a base da própria civilização é colocada em risco.


