
O que aconteceu esta semana com Vinícius Júnior, o nosso Vini Jr., não foi apenas mais um episódio isolado no futebol europeu. Foi o retrato de uma ferida antiga que muitos insistem em minimizar: o racismo.
Quando um atleta negro é alvo constante de ofensas, gestos e provocações por causa da cor da sua pele, não estamos falando de rivalidade esportiva. E
stamos falando de preconceito. E preconceito não é opinião — é violência.
O que mais preocupa não é apenas o ato racista em si, mas a tentativa de diminuir sua gravidade. Sempre há quem diga que é “exagero”, que é “mimimi”, que “faz parte do jogo”. Não faz. Racismo não faz parte de jogo nenhum. Não é estratégia, não é provocação esportiva, não é folclore de torcida. É crime. É desumanização.
Vini Jr. carrega algo maior do que a camisa que veste. Ele representa milhões de jovens negros que sonham, trabalham duro e enfrentam barreiras invisíveis todos os dias. Quando ele reage, não está sendo “problemático”. Está sendo firme. Está dizendo que não aceita ser tratado como menos.
Minimizar o racismo é perpetuá-lo. É permitir que ele continue respirando nos estádios, nas escolas, nas redes sociais e, infelizmente, em muitas consciências. Toda vez que alguém relativiza, está escolhendo o lado do silêncio — e o silêncio, nesses casos, sempre protege o agressor.
O futebol é paixão mundial. Mas nenhuma paixão pode estar acima da dignidade humana. A luta contra o preconceito não é de um jogador só. É de todos nós. É estrutural. É cultural. E exige posicionamento.
Que o caso envolvendo Vini Jr. sirva não apenas para indignação momentânea, mas para reflexão permanente. Que a sociedade aprenda a não minimizar aquilo que machuca, exclui e fere gerações.
Porque talento não tem cor. Mas o preconceito tem alvo.
E enquanto houver alvo, precisa haver voz.


