
O Carnaval sempre foi a maior expressão cultural do povo brasileiro. Ao longo da história, as escolas de samba deram voz às comunidades, denunciaram injustiças, exaltaram a cultura nacional e contaram a história do Brasil com arte e emoção.
No entanto, quando o desfile deixa de ser manifestação cultural e passa a se transformar em instrumento de propaganda política antecipada, o debate precisa ser feito com responsabilidade e maturidade.
No carnaval deste ano de 2026, a Acadêmicos de Niterói, chamou a atenção ao apresentar um enredo com forte conotação política, exaltando o atual governo de forma direta, ao mesmo tempo em que direcionava críticas severas aos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro, bem como a lideranças políticas de orientação diferente, à direita brasileira e a valores que fazem parte da base de milhões de brasileiros, como a família, o conservadorismo e o setor produtivo do agronegócio.
A crítica política é legítima e faz parte da democracia
A arte sempre foi um espaço de reflexão e questionamento. Porém, quando há desequilíbrio no discurso — com exaltação de um lado e ataque generalizado a outros segmentos da sociedade — surge um sentimento de divisão em um evento que, por essência, deveria unir.
O Carnaval não pertence a um partido, a uma ideologia ou a um governo. Ele pertence ao povo brasileiro em toda a sua diversidade: trabalhadores do campo e da cidade, empreendedores, famílias, jovens, conservadores, progressistas e todos aqueles que constroem diariamente o país.
O agronegócio, por exemplo, é um dos grandes pilares da economia nacional. A família é a base social de milhões de lares. O setor produtivo sustenta empregos e oportunidades. Transformar esses segmentos em alvo de ataques generalizados não contribui para o diálogo nem para a construção de um país mais equilibrado.
A democracia se fortalece com pluralidade, respeito e equilíbrio. A cultura também. O samba pode — e deve — criticar, refletir e provocar. Mas é importante lembrar que o Brasil é maior que disputas ideológicas e que eventos populares não devem se transformar em palanques disfarçados.
Porque, acima de qualquer narrativa, o Brasil precisa de mais pontes e menos muros.

