A missão nunca é mais importante do que as pessoas

Josimar Salum

Uma das distorções mais comuns no ministério e na liderança é considerar a missão mais importante do que as pessoas.

No Reino de Deus, nenhum chamado, encargo, visão ou obra — por mais nobre ou urgente que seja — pode justificar ferir, diminuir ou sacrificar pessoas no caminho.

O Reino não avança apenas por resultados, mas pela maneira como as pessoas são amadas, honradas, protegidas e restauradas.

Jesus nunca tratou pessoas como ferramentas para cumprir uma missão. Ele tratou a missão como um meio de revelar o coração do Pai pelas pessoas.

Por onde Jesus passou, as pessoas não foram reduzidas a números, papéis ou funções. Elas foram vistas, ouvidas, tocadas, curadas, corrigidas, perdoadas e restauradas. Sempre que uma missão começa a custar relacionamentos, dignidade, verdade ou amor, ela já se afastou do coração do Reino.

Fruto produzido às custas das pessoas não é fruto do Reino. Autoridade que promove a visão enquanto negligencia o cuidado não é autoridade semelhante à de Cristo. A Escritura não mede fidelidade pelo quanto se constrói, quão rápido cresce ou quão longe se espalha, mas por como as pessoas são tratadas enquanto a obra está sendo edificada. No Reino, pessoas nunca são danos colaterais — elas são o próprio propósito da obra de Deus.

Ao mesmo tempo, a missão em si não é frágil. A missão em qualquer lugar onde Deus está operando — é imparável, não por causa de qualquer indivíduo, estrutura ou organização, mas porque pertence a Deus.

Quando uma obra nasce da verdade, da obediência e do amor, nenhum desacordo humano, falha ou separação pode, em última instância, impedir o que Deus está realizando. Os propósitos de Deus não dependem de pessoas perfeitas, liderança sem falhas ou parcerias permanentes.

Entretanto, imparável não significa intocável. Toda missão deve permanecer sob purificação contínua, correção e realinhamento com o coração de Deus. Relacionamentos importam. Integridade importa. Verdade importa. O Reino não avança por pressão, controle ou imposição, mas por fidelidade, humildade e submissão a Cristo.

O propósito de Deus continuará. Pessoas podem mudar. Funções podem ser ajustadas. Parcerias podem terminar. Ainda assim, aquilo que Deus determinou não falhará. Contudo, a forma como a missão avança importa profundamente. Ela progride melhor quando os corações permanecem humildes, responsáveis e rendidos a Cristo — andando na verdade, honrando pessoas e permanecendo sob a autoridade de Deus, e não sob determinações humanas.

No Reino de Deus, missão e pessoas nunca estão em competição. A missão existe para servir pessoas, e as pessoas são a expressão viva da missão. Quando essa ordem é preservada, a obra permanece ao mesmo tempo imparável e fiel — avançando em poder sem perder sua alma.

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Alan Ribeiro
Alan Ribeiro

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