
Baseado em Deuteronômio 23:18 e em toda a revelação da Nova Aliança
Josimar Salum
A Palavra de Deus declara em Deuteronômio 23:18: “Não tragam ao santuário do Senhor, o seu Deus, o salário de uma prostituta ou de um prostituto para pagar qualquer voto, pois ambos são detestáveis ao Senhor, o seu Deus.”
A proibição revela um princípio eterno: Deus não aceita nada que seja gerado pela corrupção, pela exploração, pela manipulação ou pela perversão da santidade do Seu culto. A oferta não se torna santa porque chegou ao “altar”; ela é santa quando nasce da obediência, da pureza e da verdade.
Mas uma pergunta se impõe com força ainda maior: E quando a prostituição acontece dentro do próprio “altar”? E quando o que foi chamado de santo é transformado em comércio? E quando o dízimo e a oferta deixam de ser expressão voluntária de adoração e se tornam pagamento, tarifa, mensalidade, moeda de troca, ingresso para participar do culto ou condição para receber bênçãos e favores “espirituais”? Se Deus rejeita o salário de prostituição que vem de fora, quanto mais rejeitará a prostituição espiritual praticada dentro do “templo”, travestida de sacrifício.
A Bíblia chama de prostituição espiritual todo comércio das coisas de Deus. Os profetas denunciaram esse escândalo repetidas vezes. Miquéias proclamou que os sacerdotes ensinavam por preço, os profetas adivinhavam por dinheiro e os juízes julgavam por suborno. Oséias declarou que os sacerdotes se alimentavam do pecado do povo. Jeremias disse que todos, do menor ao maior, eram gananciosos. Em Malaquias, Deus rejeita sacrifícios porque o sacerdócio estava profanado. Em Apocalipse, a grande Babilônia, a falsa religião é chamada de prostituta porque trafica até as almas dos homens. Toda religião é falsa, toda! Vou repetir. Qualquer religião é falsa. Toda religião é falsa, absolutamente toda, porque religião é a tentativa humana de construir uma escada para Deus, enquanto o Evangelho é Deus descendo até o homem. Religião é esforço humano, sistema humano, invenção humana; o Reino é revelação divina, obra do Espírito, vida que nasce de cima.
A prostituição espiritual acontece quando o culto vira evento, quando a adoração vira espetáculo, quando o púlpito vira palco e quando o dízimo se torna instrumento de manipulação e controle. Quando líderes transformam o altar em balcão de negócios, cobram por votos, determinam valores, vendem “propósitos”, comercializam posições ministeriais ou tratam o povo de Deus como consumidores, estão praticando exatamente aquilo que Deus chama de “detestável”. Trocar a glória de Deus por lucro, o Evangelho por marketing e o arrependimento por entretenimento é prostituição diante do Deus Santo.
E aqui chegamos ao ponto nevralgico: não existe altar físico nem templo na Nova Aliança. No Antigo Testamento, o altar era o lugar dos sacrifícios animais, da mediação levítica e da expiação provisória. Mas tudo aquilo era sombra.
Quando Jesus morreu e disse: “Está consumado”, Ele encerrou definitivamente o sistema sacrificial. O livro de Hebreus afirma que temos um único altar, Cristo — e esse altar não é um objeto, não é uma plataforma, não é um prédio, não é uma mesa, não é um “púlpito”. É a própria obra do Cordeiro, oferecida uma vez por todas. Qualquer altar físico levantado hoje é uma afronta à cruz, pois tenta restaurar um sistema que Deus aboliu.
Se há altar físico, alguém precisa oficiar sobre ele; se alguém oficia sobre ele, há sacerdócio humano; se há sacerdócio humano, há mediação humana; e se há mediação humana, Cristo deixa de ser suficiente. Portanto, todo altar físico hoje é pagão, mundano, profano e ímpio, porque substitui o sacrifício de Cristo por estruturas religiosas humanas. Ele é um retrocesso, uma volta ao sistema levítico que o Evangelho destruiu.
Da mesma forma, não existe templo físico na Nova Aliança. Jesus disse à mulher samaritana que a adoração não estaria mais em Jerusalém, nem no monte Gerizim, mas em espírito e em verdade. Os apóstolos nunca chamaram um prédio de “templo”. Pelo contrário, ensinaram que o templo agora é o corpo de Cristo, formado por pedras vivas, homens e mulheres regenerados. Deus não habita mais em templos feitos por mãos humanas. A Ekklesia não é edifício, não é construção, não é casa de culto, não é lugar sagrado — a Ekklesia é o povo.
O cristianismo institucional, porém, revive tudo o que Deus encerrou: templos, altares, púlpitos elevados, sacerdotes humanos, clero, hierarquias, lugares sagrados e sacrifícios financeiros obrigatórios. Quando um prédio é chamado de “casa de Deus”, estão negando a declaração do próprio Cristo e dos apóstolos. Quando se ergue um altar, está se reconstruindo aquilo que Cristo destruiu. Quando se exige dízimo como sacrifício obrigatório, está se reintroduzindo o sistema levítico que o Evangelho aboliu. Quando o culto se torna espetáculo, o altar fica prostituído.
Por isso, qualquer altar físico hoje é pagão. Qualquer templo chamado de “casa de Deus” é pagão. Qualquer sistema sacerdotal humano é pagão. Qualquer intermediação entre Deus e os discípulos é paganismo religioso. Nada disso pertence ao Evangelho. Tudo isso pertence ao sistema religioso, e o sistema religioso é o inimigo número um do Reino.
A Ekklesia não tem altar — ela é o povo do altar que é Cristo. A Ekklesia não tem templo — ela é o templo. A Ekklesia não tem sacerdotes humanos — todo discípulo é sacerdote. A Ekklesia não oferece sacrifícios monetários obrigatórios — Ela oferece sua vida. A Ekklesia não depende de lugares — ela carrega Deus consigo.
Assim, quando o altar é prostituído, o culto torna-se mercado, o templo torna-se empresa e o dízimo torna-se pagamento. Mas Deus rejeita esse sistema. Ele limpa o templo. Ele derruba altares humanos. Ele rejeita adoração falsa. Ele chama Seu povo para voltar ao único altar verdadeiro — Cristo — e oferecer a Ele o único sacrifício aceitável: nossa vida, nosso coração e nossa obediência.

