
Em relação à matéria publicada em 29 de janeiro de 2026 no blog Cleuber Carlos, sob o título “Prefeito de Ipameri vira alvo de ação de improbidade por contratos ilegais de R$ 3,7 milhões”, é imperioso esclarecer que o conteúdo divulgado se refere a fatos antigos, já amplamente conhecidos e discutidos no âmbito institucional, e que vêm sendo apresentados fora de seu contexto temporal, jurídico e administrativo.
A própria notícia originalmente divulgada pelo Ministério Público data de 16 de janeiro de 2025, ou seja, há mais de um ano, tratando de procedimento instaurado para discutir a legalidade de contratações de serviços jurídicos com fundamento em notório saber, tema técnico e recorrente no direito administrativo brasileiro, objeto de diferentes interpretações doutrinárias e jurisprudenciais.
Desde a instauração do procedimento, a discussão sempre se deu em plano estritamente jurídico, sem qualquer imputação de desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito, fraude ou dano ao erário. Trata-se de debate sobre interpretação normativa e modelo de contratação, e não de apuração de conduta criminosa ou irregularidade material.
Importante destacar que, ainda durante a tramitação do procedimento ministerial, os contratos questionados foram rescindidos administrativamente, permanecendo suspensos até a conclusão da análise jurídica, não havendo continuidade de pagamentos nem manutenção de vínculos contratuais, em clara demonstração de postura colaborativa e respeito às instituições de controle.
Ressalte-se, ainda, que o próprio Ministério Público, por meio da 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ipameri, celebrou Termo de Ajustamento de Conduta em 14 de janeiro de 2026, conforme registro público em seu portal institucional, evidenciando que o tema foi tratado no âmbito administrativo e consensual, com foco na adequação de procedimentos, e não na responsabilização pessoal por qualquer prática dolosa.
A republicação, em 29 de janeiro de 2026, de matéria baseada em fatos de 2025, sem menção aos desdobramentos ocorridos, às providências adotadas e à existência de ajuste institucional firmado neste ano, induz a uma leitura distorcida da realidade administrativa e não contribui para o adequado esclarecimento da população.
Em ano eleitoral, é natural que temas administrativos sejam instrumentalizados no debate político. No entanto, a utilização de procedimentos técnicos já tratados institucionalmente como ferramenta de desgaste político, sem a devida contextualização histórica e jurídica, revela mais interesse eleitoral do que compromisso informativo.
O respeito às instituições, ao devido processo legal e à inteligência da sociedade exige que fatos sejam apresentados com responsabilidade, precisão temporal e compromisso com a verdade, especialmente quando se trata de temas sensíveis que envolvem a imagem de agentes públicos e a confiança da população.


